domingo, 13 de novembro de 2016

Diário de leitura - Livro "História de um Canalha" de Julia Navarro


Livro apropriado para leitura de férias, como foi o meu caso, onde é abordado o tema sobre a manipulação física e psíquica da mente da mulher, transportadas para o mundo dos tormentos, através da crueldade de um homem, que não olha a meios para atingir o seu fim, nem que daí provenha a morte das mesmas.

Thomas, sendo um solitário, sem sentimentos, com vontade de praticar o mal desde que com isso consiga objectivar a sua pretensão, é um grande manipulador mesmo que para isso tenha de atingir a crueldade extrema.

Consegue mesmo após a sua morte manter a sua presença destruidora, condicionando a vida dos envolventes da sua vida anterior.

Sendo um livro de leitura fácil, não é uma grande obra literária, mas explora um tema interessante, a maldade, tema atual, focando-a com uma profundidade extrema, através de uma narrativa cativante, sedutora, que prende o leitor à sua leitura pelo tema aliciante e atractivo. 

Classificação 3/5, livro cordial.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Os Meus Rascunhos - Couço Revisitado


Revisitei o Couço, local onde nasci, cerca de 45 anos após ter saído da mesma, ao ter de acompanhar os meus pais noutros voos que os mesmos tinham em vista.

A emoção esperada no passeio de "reconhecimento", redescobrindo aquilo que me parecia ainda ter na minha memória de infância, imagens límpidas e transparentes de uma realidade já passada, mas tão atualizada que parece que foi ontem que deixei esta tão histórica aldeia.

Um almoço bem preenchido no restaurante os maias com torresmos divinais e pezinhos de coentrada tão saborosos, regado de bom vinho a pressão, foi o condimento para continuar a sublinhar o enternecimento e o sentimento que continuará na minha alma e no meu físico até à sua plena finitude.


Um dos locais onde vivi anos, na casa ao lado da igreja, bem visível na memória, com histórias passadas que o meu subconsciente não esquece, nem esquecerá, porque com tanta lucidez me vieram à memória e transbordaram o inesperado.


O rio Sorraia, a pesca de barco, o Sr. Alfredo a ensinar-me a fazer barcos de cortiça, a sua padaria, as aventuras com os amigos, a escola primária, os avós, os tios, os primos, os amigos, as viagens de carroça do monte da Boavista ou da Corlinha, a vida da minha infância!


Não esquecerei, nunca, o local onde nasci e que revisitei tantos anos depois´e que pretendo regressar.


sábado, 5 de novembro de 2016

Diário de leitura - Livro "Zero K" de Don Delillo

O novo romance de Don Delillo, tenta relacionar a morte, na sua imortalidade tentada, com o aspeto material, tendo como narrador principal o filho de um sexagenário bilionário que investiu num secreto laboratório de investigação sobre vitrificação, criopreservação e nanotecnologia, lugar sinistro e vigiado, onde se preservam os corpos até um futuro indefinido que possa haver o conhecimento necessário para regressarem à nova vida. 

No fundo considera a força do dinheiro no sentido de evitar a morte, adiantando-se à mesma e eternizando a sua individualidade póstuma, reduzindo a sua identidade à imagem de um corpo que não se decompõe.

O narrador intercala a vida espiritual do pai com o envolvimento real do mundo que os envolve.

Livro tocante, bem escrito, com uma prosa irreparável, mas cuja “complexidade” no leva a ter de ler o livro com a calma necessária para podermos acompanhar as sucessivas perplexidades envolventes.


Classificação 4/5, livro com alma

sábado, 29 de outubro de 2016

Ver um filme - O Caso Spotlight

Só agora tive a oportunidade de ver o filme “O Caso Spotlight”, vencedor do Óscar de melhor filme de 2016.

Através do jornalismo de investigação uma equipa de jornalistas, empenhou-se em encontrar provas irrefutáveis sobre o encobrimento da Igreja Católica aos abusos sexuais na Instituição Eclesiástica, nomeadamente em Boston.

Décadas de encobrimento, com ocultação claramente “mafiosa” numa esfera centralizada ao nível religioso e político, levaram à complexidade da investigação, conseguida pela persistência e perseverança, numa longa e difícil luta por acreditarem que se podia ainda fazer justiça, mesmo “imperfeitaaos adultos que tentavam omitir e esquecer o passado pela falta de apoio que sempre tiveram, num espaço centralizado pela predação existente aos vários níveis.

Mexeu na “conspiração mafiosa” à escala mundial, tendo o próprio Vaticano ganhado força para continuar a sua luta, longa e difícil iniciado pelo Papa Bento XVI, no sentido de travar a pedofilia na Igreja.

Um filme terrivelmente verdadeiro.

Classificação 4, filme com alma.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Póstumo - João Lobo Antunes





Faleceu, mas perdurará para sempre na nossa memória.

Foi muito o conhecimento que nos transmitiu, nomeadamente na área de Ética da Medicina, tendo em conta a progressão da mesma, escrevendo vários ensaios, alguns presentes na minha biblioteca que anexo na fotografia do post.

Na sua luta, colaborou numa das conquistas mais louváveis da Nova Medicina que foi o controlo do Erro Médico.

Obrigado.

Para sempre.


Diário de leitura - Livro "Numa Casca de Nós" de McEwan


O mundo “fechado” da obstetrícia, no diz respeito à evolução do feto na vida intrauterina, sendo um mundo maravilhoso, apresenta uma faceta ignorada na ciência, que leva à eventualidade imaginativa do que poderá ser a evolução mental no mundo da intimidade, durante o tempo em que feto reage aos estímulos, que se movimenta, procura posições cómodas, ri ou chora na sua presença amniótica.

Aproveitando o conhecimento da ciência sobre a influência das emoções maternas no desenvolvimento psíquico do feto, McEwan idealiza uma história em que o feto com o seu poder de dedução sobre o mundo que o envolve é o narrador principal, tecendo considerandos e refletindo sobre temas da actualidade, que envolvem a sociedade em geral, analisando o mundo a partir do seu saco amniótico.

É uma leitura suave, agradável, tornando que se torna progressivamente empolgante, com suspense no ultimo terço do livro, o que nos leva a ter dificuldade em largar o livro até o mesmo ser terminado.

Classificação: 4,  Livro com alma.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Meditações - – Um Dia Com Pensamento Escuro



Eu sei que era um fim em si mesmo mas não percebi a intenção: Estava com o pensamento afastado do mundo real; tudo era aparente e aparentado, até a própria cor relva era inventada.

Não me parecia ser verdade o facto das cores serem desconhecidas. Seria um sonho? Mas que sonho? Eu estava aqui, presente, a olhar para uma pedra que aos meus olhos poderia ser negra ou colorida pela irradiação solar. Não sei onde estava nem sei onde estarei neste preciso momento!

Sim, por aí ando, como qualquer português por aí anda; seremos cegos? Talvez Saramago no seu livro “a cegueira” nos tivesse querido chamar a atenção para isso mesmo.

O fim em si mesmo.

Esqueçamos. Não há presente, muito menos haverá futuro!

Tenho dito   


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Opinião A Praia do Norte – A espectacularidade da natureza em área abandonada



Visitei há algum tempo a Praia do Norte, extenso areal a partir do Forte de São Miguel Arcanjo, na Nazaré, que oferece uma paisagem fabulosa com as suas ondas “habilidosas” e poderosas de muitos metros de altura que permitiram a Garret McNamara o recorde da maior onda alguma vez surfada.

No entanto a zona envolvente encontra-se algo desordenada, para não dizer com aspecto de abandono, pecando pela falta de limpeza, onde se encontram bostas de cavalo, fezes de cão ou lixo de outra natureza “abandonado” pelo ser humano, como sendo dejectos da má educação.

Por outro lado, faltam-lhe as infraestruturas que merece como também a vigilância e a informação hoje aspecto crucial de quem gosta de se aventurar por locais desconhecidos.

Estes aspectos em falta minimizam sem dúvida o seu valor que pese isso não deixa de ser incalculável, se bem aproveitado no futuro para o turismo da região. 


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Vícios - Um dia de confraternização, um período gastronómico


Foi um dia em que reuni na mesma mesa um grande amigo e a família que que me acompanha diariamente no bem e no mal, para saborear uns lagartos de porco e entrecosto grelhados no churrasco.

Comeu-se devagar, sem pressa, em confraternização, como se de uma arte e de um ritual se tratasse.

Tudo isto regado por um vinho “Vinhas de Pegões Sirah de 2015” comprado em promoção no Pingo Doce ao preço de 2.50 Euros, cor granada, notas de frutos vermelhos muito maduros, um privilégio ter provado um vinho, que costumo dizer talvez não se beba porque se come…

Muito se falou, as horas transviaram sem disso dar-mos conta. Sem dúvida um dia de confraternização, um belo período gastronómico.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Os Meus Rascunhos - Aqueles minutos




O outro automóvel fora de mão e repentinamente o toque inevitável no volante, tocando as "falsas" bermas, meio caminho para o despiste; 

Essas bermas “deformadas” e desreguladas… 
Mas também a distracção dos outros pode-se fazer pagar “caro” incluindo a própria morte. 
Pois…O despiste e o voo; 
Relembrança do carro se encontrar imobilizado de lado; 
O não conseguir sair por encarceramento e sem se poder mexer; 
Os bombeiros e a equipa médica, a ajudar, 
As perguntas, 
Mas uma cadeira de criança… 
Ainda mais perguntas; a apetecer chorar, mas felizmente não havia qualquer criança a acompanhar a viagem; 
Tudo correu bem, felizmente, 
Só mais um acidente de muitos nas estradas portuguesas. 
Mas nem todos correm bem, por isso a mortalidade nas nossas estradas são das mais elevadas da Europa.

Muita coisa ainda terá de mudar…A começar pela educação!



quarta-feira, 16 de março de 2016

Os Meus Rascunhos - Brasil, o Paraíso Descontente


“O Brasil não é um país para principiantes” frase de Tom Jobim, que resume o Brasil atual, com Lula sob a alçada da Justiça ter sido levado para um lugar de Ministro por Dilma, conseguindo a imunidade judicial de alegado branqueamento de capitais mediante ocultação de património e falsificação de capitais, envolvido em escândalos de corrupção.

Quem não teme não deve;

Brasil é um país com todas a condições para ser dos mais ricos do planeta, mas fica demonstrado por este ato “pensável”, que não se viverá uma democracia na verdadeira essência da realidade, onde grandes interesses se sobrepõem à melhoria das condições de vida da população, onde praticamente não existe uma classe média, nem existem previsões de melhoria, numa economia que neste momento não é sustentável.

O recente Mundial de Futebol já havia demonstrado grandes manifestações de descontentamento num país cujo ordenado mínimo ronda os 135 euros e os bilhetes dos jogos custavam em média cinco vezes esse valor.

E agora, Brasil?

As atenções quer nacional e internacional irão estar centradas, mais uma vez, no comportamento do povo em termos de manifestações, violência e por outro lado, revendo o pensamento durante o mundial de futebol, de aprovação de legislação que eventualmente vise proibir manifestações, equiparando-as a atos de terrorismo ou utilizando outros meios de dissuasão que mantenha a possibilidade dos acusados em sede de tribunal, nomeadamente de prisão, poderem a andar a passear e confortavelmente poderem ser acusados e condenados como qualquer pessoa no mundo democrático a isso está sujeito

Cazuza, cantor, poeta e compositor brasileiro tinha razão quando pediu “Brasil mostra a tua cara” e gritou “que país é esse?”



quarta-feira, 9 de março de 2016

Reflexões de Médico - Eutanásia # 2 Que Se Debata Mas Sem Tanto Ruído



Foi divulgado no Semanário Expresso do dia 6 de Fevereiro um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida, tendo sido iniciado um debate nos meios de comunicação social com o intento de ser didáctico, possibilitando à população portuguesa poder compreender e interpretar o desconhecimento de um assunto que a todos diz respeito.

Tem-se verificado infelizmente em detrimento desse mesmo debate, que se deseja real e verdadeiro, informações adversas, algumas sobre a forma de anonimato, outras declaradas, que nada abonam a favor de um debate sério sobre a Eutanásia, nem possibilita a calma necessária para que esse mesmo debate se oriente pelo rumo do conhecimento e da erudição, deixando ao povo português a possibilidade de compreensão e entendimento, possibilitando-lhe ainda ter opinião própria sobre um assunto que de tão importante, deve mover a consciência de cada um.

Essa controvérsia já levou à abertura de inquérito no Ministério Público, na Ordem dos Médicos e Inspecção geral das Actividades em Saúde, situações talvez evitáveis se melhor se atendesse ao significado da terminologia e conceitos tão próprios deste tema.

Eutanásia pode ser sim ou não, mas tem de haver o tacto suficiente para dar estabilidade à discussão que se pretende seja intensa, elucidativa e esclarecedora e na minha óptica pessoal não em referendo, muito menos no habitual sim ou não, que regem, se não todos, a maior parte dos referendos que se têm efectuado.

O que seria deste país se o código penal fosse decidido por sim ou não, como também, por exemplo o código civil?

Voltarei ao assunto posteriormente à medida que o real paradigma vá assentando “arraiais”, em detrimento da atual confusão e direi mesmo “trapalhada”.

Em 14 de Março de 2014 escrevi sobre a Eutanásia no Link (#1) abaixo, mas dois anos passaram e nesse tempo vamos consolidando opiniões e renovando ideias, nomeadamente sobre este tema tão importante para a sociedade em geral.


domingo, 6 de março de 2016

Diário de leitura - O Alentejo e Raposo: Porquê tanta polémica?





Antes do seu lançamento, já o livro “Alentejo prometido”, levantava polémica nos meios sociais, como o Facebook, o Twitter e alguns blogues, tendo-se chegado a situações extremas, nomeadamente com ameaças à integridade física do autor.


De tal maneira “foi o levantamento” que houve um jornalista que fez a comparação com a fatwa contra Salman Rushdie.


Tudo isto encapotado no facto do autor tratar o suicídio no Alentejo Litoral, partindo da sua própria cronologia.


Li o livro ontem (foi lançado a nível nacional há dois dias).


Fico particularmente, como leitor mas também como português, desagradado por se ter levantado tanta polémica, apenas por se pretender levar ao conhecimento profundo o aclarar do Alentejo, neste caso o seu Litoral com as suas histórias antigas, mas que se mantém recentes.

Ou talvez não, quando o autor revela o que sabemos ser uma realidade passada mas ainda presente, infelizmente, ao unir em puzzle a Igreja, as Mulheres, o Suicídio e como afirma “o Complexo Desenraizado”.


As Igrejas “inóspitas no interior” e “feias no exterior” são uma veracidade que se estende pelo país fora quando vemos as mesmas muitas vezes abandonadas, com o interior vazio ou esvaziado, mas por motivos variados; é “crime” haver coragem para desmascarar o mau reinado de quem na Igreja devia ter a obrigação de velar por aquilo que ainda são os monumentos de maior importância neste pequeno país. A Igreja não se preocupou com o analfabetismo, a miséria inerente a esta gente ou a possibilidade de dar meios para a possibilidade de um conhecimento cultural mínimo.


As mulheres; sem dúvida uma atmosfera muçulmana reinante por aquelas bandas; Rentes de Carvalho no seu livro “Ernestina” regressando às suas origens descreve com clareza o fraco papel de intervenção das mulheres na sociedade que no século XX, pouco diferia nalguns aspectos da época medieval; António Lobo Antunes em “Sôbolos Rios Que Vão” aventura-se na descrição da cumplicidade entre o seu próprio pai e uma empregada doméstica na Beira Alta. Henrique Raposo descrevendo a elevada percentagem de filhos ilegítimos dá exemplos de bastardia, indo com coragem ainda mais longe, ao afirmar que “homens da alta sociedade, de Manuel Alegre a Nicolau Breyner iniciavam a vida sexual impondo-se às criadas e trabalhadoras”.


O suicídio, o mais polémico, mas talvez o menos polémico na realidade, pela sua verdade factual, sendo descrito com rigor e precisão tanto geneticamente como socialmente tendo em vista o desinteresse, o desenraizamento, como prática colectiva.


O complexo do desenraizado provavelmente inerente aos temas que se interrelacionam.


Será que todas estas descrições incomodaram tanta gente ao ponto das ameaças veladas terem sido levadas a sério?


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Diário de leitura - Somos Estrangeiros no Nosso País


Reli recentemente o livro “O estrangeiro” de Alberto Camus. Revi-me como a maioria da população portuguesa a vaguear entre os extremos do que são a incompreensão e a existência de sentimentos, tal como é a realidade genérica desta obra.

Estamos num país que foi empobrecendo ao longo das últimas décadas pela existência de personalidades (plural ou singular tanto faz) que permanecendo em cargos de liderança, permanente ou alternadamente, não mostraram ambição para a mudança, ou modificação do estado de “ruína” económica em que nos encontramos, através de um desinteresse abismal, enorme e absurdo, numa falta de sentimentos pelos sacrifícios que a população neste momento sofre e suporta, no meu entender a verdadeira realidade da personagem principal do livro.

Durão Barroso resolveu sem concurso, como devia ser norma, nomeadamente de alguém que teve a responsabilidade máxima na Europa, o problema de emprego do filho no Banco de Portugal, saltando por cima da legalidade e da legislação que o mesmo bem conhece, e que lhe “deu jeito” esquecer.

João Soares também se lembrou dele próprio e não do desemprego que grassa em Portugal, resolvendo com o atual governo o problema da empregabilidade do filho, licenciado em história, tornando-o assessor no Ministério da Educação.

Como tantos outros casos, que vão sendo divulgados na comunicação social e nos meios sociais, esse tédio pelos reais problemas do país, a observação cínica pela realidade da classe média e da classe pobre, faz supor que somos cada vez mais estrangeiros num país que tem uma soberania dúbia, sendo integrante de vários países, se nos lembrar-mos da venda ignóbil e sórdida de grande parte do património português – faltava também parte da TAP ser entregue aos chineses, como tivemos conhecimento há poucos dias.

Mersault, personagem principal é a passividade de um povo que tudo consente, porque nem armas legais tem ao seu alcance, acabando apenas por dizer o indispensável e o imprescindível. Ele demonstra, principalmente na parte final do livro, a ideia da indiferença perante a vida, desprovida muitas vezes de sentido, dando uma visão céptica da realidade por desinteresse de fazer parte de uma sociedade que descrê nos seus valores, que deveriam ser dominantes, mas que deixaram de existir, moralmente e eticamente.

Se este livro escandalizou, por provocação a época em que foi publicado, hoje a personagem principal espelha a imagem da desagregação politica e social de um mundo em que Portugal, infelizmente, é um exemplo real.   


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O livro "Oblomov" de Ivan Gontcharov



São 646 páginas em que se mergulha numa literatura “dócil, esplendorosa, calorosa e perfumada”, na caracterização do protagonista do romance que com uma preguiça permanente, consegue transformar a mesma num sonho duradoiro, desejos que se transformam em felicidade.


Uma surpresa este livro. Afinal a preguiça não é só a vontade de nada fazer. Pode ser um protesto contra a própria vida, uma outra maneira de satisfazer o próprio ego, num respeito cego com tudo o que o rodeia, numa vida em que o ressentimento não existe, sem a inveja, tão declarada e espalhada na Rússia da época.

O preguiçoso e o amigo, metáfora da época, entre a generosidade e altruísmo de um lado e a ambição de uma vida lutadora com objetivos delineados do outro lado.

Se fosse hoje tudo seria reduzido à depressão e à “louca” necessidade de medicação, entre outros medicamentos contar-se-iam os antidepressivos.


Uma grande obra literária, que recomendo. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Reflexões de Médico - O Virus Zika


A infeção Zika aparece após uma picada do mosquito “Aedes aegypti”, que também transmite o Dengue e a Febre-amarela originando sintomas e sinais clínicos, em regra ligeiros, como febre, erupção cutânea, dores nas articulações, conjuntivite, dores nos olhos dores de cabeça e musculares e sintomas abdominais.

No entanto a grande preocupação são os efeitos secundários, nomeadamente alterações no feto durante a gravidez em particular a microcefalia, que é a mais preocupante neste momento., já que essas alterações cerebrais, poderão ser relacionadas no futuro com debilidade mental.

Não existe atualmente nem tratamento nem prevenção, podendo ser necessário anos até ao desenvolvimento de uma vacina eficaz.

Prevê-se a sua disseminação e expansão pelos vários continentes, tornando-se um problema na escala mundial, pelo que a Organização Mundial de Saúde, mais célere que relativamente a outras epidemias, principalmente os atrasos relativamente ao vírus Ébola, vai reunir brevemente, para tentar decidir dar uma resposta global a essa rápida disseminação do vírus, quando se sabe que é uma ameaça de proporções alarmantes estimando-se que possam ser infetados este ano entre três milhões a quatro milhões de pessoas.

Da América já apareceram casos na Europa e em Portugal, começando a haver pânico que quando instalado passará a ser mais um fator a levar à necessidade d alguma reorganização dos nossos Hospitais, que cada vez mais deverão integrar obrigatoriamente planos de resposta imediata a determinado tipo de aparecimento de novas doenças como esta, no sentido de manter na população a confiança que a mesma procura e merece.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Reflexões de Médico - Se Errar é Humano

Foto João Gabriel de UCIP

Se errar é humano o que verdadeiramente distingue um médico bondoso, é que este procura de imediato a solução através de um fio condutor para fazer o bem, sem que possa levar à possibilidade de prevaricação, tentando contrariar aquilo que é a força da lei de Murphy quando a mesma afirma que “Se algo errado pode acontecer, seguramente acontecerá”.

O erro em medicina tão divulgado, muitas vezes com a pretensão do dizer mal, atingir uma classe ou da vingança em ré menor, não atentando ao porquê das coisas, acontece na realidade.

Mas hoje cada vez mais a exigência da precisão, quando baseada no esforço sobre o conhecimento científico e através da perseverança, da prática e da tenacidade, tal como nas lições de desempenho dos grandes atletas, que têm os recursos necessários ao seu dispor, também os médicos tentam com os seus meios ultrapassar as fragilidades que cada corpo e organismo apresentam na sua tão grande diferenciação de cada um.

Mas existem sem dúvida vidas em risco;

Em boa-fé, as decisões e omissões são também de natureza moral, já que a ciência, por mais avantajada que seja, tem as suas fragilidades, podendo levar a passos incertos, pese o conhecimento que possa haver, que simultaneamente pode ser vasto, mas incompleto em termos práticos, por mais céleres e firmes que queiramos ser, a partir de uma equipa que com enfermeiros, técnicos e outros pode-se quantificar em determinados casos por dezenas de profissionais.

Ninguém, com certeza, atenta no erro, tentando, por outro lado, a realização do trabalho da forma mais humana possível, com carinho, afeição e preocupação pese a complexidade do exercício da medicina que torna as coisas tão interessantes, mas ao mesmo tão perturbadoras.


Mas o fazer bem, numa profissão que se quer ser profundamente humana, mas que não é matemática, significa por isso que possam haver falhas; mas que as mesmas devam ser contempladas, não como uma fuga à realidade mas com a sincera transmissão da realidade, comunicando a quem de direito, com a atenção com o doente ou familiares que lhes é devida, sem qualquer crença desnecessária e por isso dispensável, a partir da simples realidade de um facto, que por si mesmo deverá fazer a diferença entre ser apenas um médico ou ser um médico bom.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Os Meus Rascunhos - Os Curandeiros de Automóveis


Estacionámos o carro em segunda fila, ficando eu no lugar de pendura a guardar o mesmo, nomeadamente pela possibilidade de ter de justificar algo a uma eventual equipa policial que na altura aparecesse a pedir justificações da formal ilegalidade.

Era uma situação de urgência e por isso assim decidimos;

À minha frente, apercebo-me de um carro de matricula portuguesa, de coloração antiga esbranquiçada, significando ser um carro ainda anterior a este século. Observando com mais evidência, verifico a existência de uma garagem, transformada em oficina, dimensionalmente pequena, mas funcionando para alinhos e arranjos de problemas menores de avarias dos automóveis.

E fiquei concentrado, à espera do que iria acontecer;

Um problema nas escovas dos limpa para-brisas; observei o que se iria passar, e apercebi-me do mau funcionamento das mesmas; aparece uma pessoa do seu interior: Dono? Empregado? O mesmo tenta percepcionar se o problema será um dano ou o desgaste da mesma e até que ponto a força da crise associado à necessidade das pessoas pouparem dinheiro o faria seguir na decisão de arranjar ou trocar, ou inventar, protótipo da inovação dos portugueses que posteriormente acabam por desinvestir, vendendo o que há de bom ao estrangeiro, vejam-se tantos exemplos por aí disseminados…

Continuei atento;

Um verão, o outono primaveril e de repente a chuva; o estado da borracha das escovas dos limpa para-brisas, ainda por cima subsequente à exposição após um fervoroso verão.

A facilidade de tirar os mesmos com se de um puzzle se tratasse sem máquinas electrónicas de ultima geração, a que ficámos habituados a verificar nas oficinas correspondentes às marcas de automóveis.

O meu tempo de ilegal estacionamento estava a esgotar-se, porque sabemos a nossa paciência ou impaciência de olharmos para todos os lados numa situação que é ilegítima, de estacionamento por mais legal que consideremos poder estar…

Se o problema seria o da elasticidade da borracha, ou da perda da propriedade da borracha ou da necessidade ou não de mudar as mesmas, só esse “Curandeiro de Automóveis” poderá dar a sua última palavra, que como benzedeiro tentamos acreditar.

Ou seja, na sua diversidade espiritual,


Piscando de lado o olho ao conhecimento científico, que mais de electrónico
 tenha, pode nada valer, pelo seu dimensionamento, pese a não instrução, quando comparado com o conhecimento e sapiência “indígena” de quem consegue resolver pequenos “grandes” problemas, na gíria popular dar fé, mesmo que à posteriori a festa saia demasiado cara!