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quarta-feira, 9 de março de 2016

Reflexões de Médico - Eutanásia # 2 Que Se Debata Mas Sem Tanto Ruído



Foi divulgado no Semanário Expresso do dia 6 de Fevereiro um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida, tendo sido iniciado um debate nos meios de comunicação social com o intento de ser didáctico, possibilitando à população portuguesa poder compreender e interpretar o desconhecimento de um assunto que a todos diz respeito.

Tem-se verificado infelizmente em detrimento desse mesmo debate, que se deseja real e verdadeiro, informações adversas, algumas sobre a forma de anonimato, outras declaradas, que nada abonam a favor de um debate sério sobre a Eutanásia, nem possibilita a calma necessária para que esse mesmo debate se oriente pelo rumo do conhecimento e da erudição, deixando ao povo português a possibilidade de compreensão e entendimento, possibilitando-lhe ainda ter opinião própria sobre um assunto que de tão importante, deve mover a consciência de cada um.

Essa controvérsia já levou à abertura de inquérito no Ministério Público, na Ordem dos Médicos e Inspecção geral das Actividades em Saúde, situações talvez evitáveis se melhor se atendesse ao significado da terminologia e conceitos tão próprios deste tema.

Eutanásia pode ser sim ou não, mas tem de haver o tacto suficiente para dar estabilidade à discussão que se pretende seja intensa, elucidativa e esclarecedora e na minha óptica pessoal não em referendo, muito menos no habitual sim ou não, que regem, se não todos, a maior parte dos referendos que se têm efectuado.

O que seria deste país se o código penal fosse decidido por sim ou não, como também, por exemplo o código civil?

Voltarei ao assunto posteriormente à medida que o real paradigma vá assentando “arraiais”, em detrimento da atual confusão e direi mesmo “trapalhada”.

Em 14 de Março de 2014 escrevi sobre a Eutanásia no Link (#1) abaixo, mas dois anos passaram e nesse tempo vamos consolidando opiniões e renovando ideias, nomeadamente sobre este tema tão importante para a sociedade em geral.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Morte Anunciada


 A Doença Oncológica, o seu percurso entre a vida, a morte e a actualidade:


O homem é um animal sociável, inserido numa sociedade em progresso, ciente de que a vida é finita e limitada, com uma meta final que vai atingir, que é a morte, mas que ignora onde, quando e como; sabe ser um ponto sem retorno para esta vida, embora haja quem a considere como uma fronteira invisível que dá acesso a uma outra vida.

O aumento de esperança de vida, a evolução tecnológica progressiva e o aparecimento de novos fármacos na área da quimioterapia, levou não só ao diagnóstico mais precoce da doença oncológica, possibilitando uma vida mais prolongada, mas também eventualmente um final de vida mais desumana, impiedosa e sem compaixão.

A informação e comunicação entre o doente, a família e os profissionais de saúde continua a não ser prestada de forma correcta, nessa preparação para "uma boa morte", razão pela qual numa altura avançada da doença, já incapacitante, com o doente debilitado ou confuso ou demente, a família mais próxima não tem muitas vezes o conhecimento suficiente de qual a melhor conduta, atitude ou procedimento no sentido de poder minorar o sofrimento e atenuar a dor, seja esta física ou psicológica. 

É a fuga...

Sim, sem alternativa estes doentes acabam por ser levados vezes sem conta aos serviços de urgência, onde se trata a doença aguda, num rodopio de caos, desordem e confusão, sem compaixão nem benevolência, repetindo sem necessidade exames laboratoriais e complementares, tal como sofrendo intervenção de técnicas "agressivas" e repetidas e tratamentos diversos, que nesta fase da vida acabam por ser inadequados e lesivos.

Galeno afirmava ser divino suprimir a dor! 

Essa dor, seja física ou psíquica ou moral, deve ser minimizada e minorada desde o inicio do diagnóstico da doença, devendo todo o profissional de saúde estar preparado para aliviar o sofrimento, ouvir e conversar com o doente e a família, numa atitude de empatia e compaixão, regra de ouro para a preparação futura para uma boa morte do doente e para um bom luto dos familiares mais próximos (luto hoje cuja importância continua a ser totalmente ignorado na sociedade actual...do século XXI, dito tão desenvolvido).

A fase final da vida deve, por tudo isso, ser suavizada através dos Cuidados Paliativos, que com equipas multidisciplinares,  permitem amparar, acarinhar e sustentar essas dificuldades, permitindo também temporalmente a meditação sobre o essencial e o acessório, o efémero e o eterno,  possibilitando então o encontro do doente com a sua própria fé e espiritualidade.

Todos temos em alguma fase da nossa vida um familiar próximo com situação oncológica, que nos leva a meditar mais profundamente sobre a vida, as doenças, os tumores, mas também sobre a inoperacionalidade da saúde no nosso país relativamente ao acompanhamento e orientação nas instituições de saúde, como também à necessidade de formação específica dos profissionais, para que possam acompanhar em equipa o doente e os familiares na sua dor, sofrimento e compaixão.

Se todos temos direito à boa vida, também há direito à boa morte em total dignidade, compostura e também com a esperança "para a continuação da vida ou da outra vida, após esta".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Mundo Debaixo Dos Meus Pés


Na melancolia caricatural que nos vai influenciando negativamente, porque temos a tristeza de visualizar o que vai no "mundo politico", valha-nos a ousadia de podermos continuar a pisar a terra deste belo e lindo país que com a sua linda paisagem vai-nos dando ou ajudando a ter a força necessária para animar o nosso ego e motivar o que vai restando da integridade da nossa personalidade...e ainda bem porque se de factores motivantes necessitamos,passa a ser uma obrigação tentar inventar algo que nos ajude a perceber que a primeira vida - a que vai até à morte, deve ser vivida com felicidade, tranquilidade amor e em paz e com a quietude possível.


E foi isso que um dia tentei!

Disso me tento recordar: Numa das minhas saídas sem destino, "lunática", mas matinal, tentei descobrir algo que da nossa natureza pudesse surgir, influenciando um estado de espírito que necessita de energia, vigor, força e potência, como muitos outros também necessitam, desgastado da politiquice "corriqueira" que nos vai consumindo, porque deixou de ser solidária com a sociedade que os elege, substituindo essa mesma solidariedade por "um emprego" rentável aos olhos de quem vai ficando estupefacto pelo nível de decisões que surgem diariamente neste país "ainda" à beira-mar plantado.

Foi quando através da solidão que abre a nossa alma, pensava nas manchas luminosas coloridas do horizonte, nos detalhes imperfeitos dos troncos dos pinheiros, na música de alguma queda de água a certa distância, quando deixei a alucinação visual para trás e voltei à realidade, mas para uma realidade feliz, sem estranheza, a pensar que a fragilidade das nossas mentes dão forma ao inerte e tentam permitir uma melhor compreensão dos mistérios que invadem a nossa consciência.

Estimulado por um recente livro que terminei dias antes denominado "Apagar a Morte" recordei palavras felizes por descobertas cientificas recentes que abalou a minha compreensão de morte e a percepção de que a vida passa para além da morte.

Tenhamos a esperança mantida; como afirma noutro livro Walter Osswald: A Morte é Certa, a Hora Incerta.