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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os Meus Rascunhos - Transplante de Orgãos: Crimes Contra a Humanidade na China


Fiquei surpreendido com uma reportagem recentemente apresentada num canal televisivo sobre a violência dos transplantes de órgãos advindos estes dos praticantes de Falun Gong, encarcerados não por quererem o mal da sociedade mas porque desenvolvem fortes valores morais na China, inaceitáveis pelos tiranos que governam esse país.

Falun Gong é uma prática que cultiva a mente e o corpo, cujos valores morais se assimilam à natureza do universo através da aplicação da verdade, da benevolência e da tolerância, fortalecendo desse modo a saúde mental e física das pessoas.

O governo da China, inexplicavelmente desde 1999 que persegue estes praticantes com reeducação, prisão, trabalho forçado, tortura física e pena de morte.

É uma preocupação crescente em toda a comunidade internacional estes praticantes serem executados no sentido de fornecerem órgãos para receptores de transplante, sob o olhar complacente de organizações como as Nações Unidas e outras que se limitam a pedir explicações sobre a sua origem, quando existem provas convincentes que este negócio passa também além fronteiras beneficiando muita gente que sem escrúpulos vai à China para ser transplantado, inclusive do coração (mata-se um ser humano de imediato para fornecer este órgão a outro).

São ganhos financeiros exorbitantes, sendo uma industria que movimenta um bilião de dólares por ano desta abusiva criminalidade, que infelizmente os governantes de todo o mundo mantém uma atitude complacente, de silêncio ignóbil, permitindo a perpetuação deste tipo de abuso e tortura.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Reflexões de Médico - Eutanásia # 2 Que Se Debata Mas Sem Tanto Ruído



Foi divulgado no Semanário Expresso do dia 6 de Fevereiro um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida, tendo sido iniciado um debate nos meios de comunicação social com o intento de ser didáctico, possibilitando à população portuguesa poder compreender e interpretar o desconhecimento de um assunto que a todos diz respeito.

Tem-se verificado infelizmente em detrimento desse mesmo debate, que se deseja real e verdadeiro, informações adversas, algumas sobre a forma de anonimato, outras declaradas, que nada abonam a favor de um debate sério sobre a Eutanásia, nem possibilita a calma necessária para que esse mesmo debate se oriente pelo rumo do conhecimento e da erudição, deixando ao povo português a possibilidade de compreensão e entendimento, possibilitando-lhe ainda ter opinião própria sobre um assunto que de tão importante, deve mover a consciência de cada um.

Essa controvérsia já levou à abertura de inquérito no Ministério Público, na Ordem dos Médicos e Inspecção geral das Actividades em Saúde, situações talvez evitáveis se melhor se atendesse ao significado da terminologia e conceitos tão próprios deste tema.

Eutanásia pode ser sim ou não, mas tem de haver o tacto suficiente para dar estabilidade à discussão que se pretende seja intensa, elucidativa e esclarecedora e na minha óptica pessoal não em referendo, muito menos no habitual sim ou não, que regem, se não todos, a maior parte dos referendos que se têm efectuado.

O que seria deste país se o código penal fosse decidido por sim ou não, como também, por exemplo o código civil?

Voltarei ao assunto posteriormente à medida que o real paradigma vá assentando “arraiais”, em detrimento da atual confusão e direi mesmo “trapalhada”.

Em 14 de Março de 2014 escrevi sobre a Eutanásia no Link (#1) abaixo, mas dois anos passaram e nesse tempo vamos consolidando opiniões e renovando ideias, nomeadamente sobre este tema tão importante para a sociedade em geral.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

"Aos médicos só falta serem dados aos leões" por luis Osório Semanário Sol em 11/01/2106

Aos médicos só falta serem dados aos leões

"Em tempo de campanha eleitoral para a Presidência da República (a mais triste de que tenho memória), o país atravessa uma crise de que dificilmente se recomporá. Não por causa do endividamento, do défice, das desavenças parlamentares ou da desagregação do sistema financeiro – mal ou bem, existe a esperança de que se encontrem soluções políticas e económicas globais para problemas que são de todos.
O problema é de identidade. De necessidade permanente de ajustar contas, de procurar culpados, de transformar a vida (e as notícias sobre ela) num guião de novela com picos de interesse que não desmobilizem a atenção das pessoas.
Uma parte importante dos portugueses quer estar entretida com os protagonistas da vida (por vezes da sua própria vida), como está entretida com as figuras das séries que consome. Tudo é volátil, hoje temos um assunto que nos interessa, amanhã outro e por aí adiante.
Ver a comunicação social oferecer o palco dos debates presidenciais a figuras de circo é a prova de uma ausência de problematização. Deixou de ser decisivo definir fronteiras editoriais, assumiu-se que apenas interessa alimentar o apetite das pessoas pela novidade, pelo escândalo, pela sede de novas sensações.
Seria possível fazer de uma outra maneira? Não estou certo. É apetecível ver Jorge Sequeira ou Tino de Rans debater com Marcelo Rebelo de Sousa, vai ao encontro da grande força das televisões provar que todos podemos dar opinião, que todos contamos, que as televisões são o lugar onde todos são realmente iguais – uma igualdade um bocadinho esquizofrénica. 
Nenhum diretor de Informação acredita nisso. Pensam, como eu teria de pensar se dirigisse uma estação de televisão, em audiências.
Para vários, não para todos, o jornalismo não salva o mundo, é apenas a sua caixa de ressonância (tese que terá de ser combatida sob pena de o jornalismo morrer e, com ele, a democracia tal como a reconhecemos).
Nesse sentido, o ataque aos médicos é particularmente indecoroso. Não por ser desculpável o que aconteceu no Hospital de São José, mas pelo clima de persecução, pela forma como a classe médica tem sido castigada por políticos, comentadores e opinião pública. Dizem da sua justiça sem saber nada sobre organização hospitalar, apontam o dedo, fazem julgamentos de valor e de caráter.
Nem por acaso, estive infelizmente na passada semana no Hospital da Estefânia. Era fim-de-semana, na sala de espera encontravam-se dezenas de pessoas apertadas umas nas outras, ambiente muito pesado, crianças a chorar em permanência.
Fui atendido num cubículo por um médico que não dormia há mais de 24 horas, as paredes estavam esburacadas e por pintar, o gabinete separava-se de outro gabinete por uma cortina. A pessoa que tinha à frente, que ganha quatro euros à hora nas suas horas extraordinárias, médico que teve de se licenciar com uma média de 19 valores e depois fazer a especialidade durante mais cinco anos, se desse um berro e tratasse mal alguém que o tivesse tratado mal naquelas horas, é bem provável que fosse agredido e denunciado a um canal de televisão por tratar mal os doentes.
Há médicos que são uns pulhas. Como há professores que deviam ser expulsos do ensino. Porém, o Estado Social (alicerce de uma democracia avançada) morrerá se tudo para nós passar a ser pão e circo.
O que nos restará então? Eleger um dos palhaços a concurso e cada um se fazer à vida. Sem médicos, professores e juízes que poderiam (finalmente) ser atirados aos leões famintos, num espectáculo que bateria todos os recordes de audiência deste mundo e do outro".


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Os Meus Rascunhos - Serviços de Urgência, Profissionais e a Sociedade


Ciclicamente tem-se falado na desvirtualidade do sistema de saúde nas urgências hospitalares, nomeadamente quando vem a público o relato de algum caso real, mas que com o agrément de alguma comunicação social, pela continuidade, levantam exagerada celeuma, de acusações múltiplas, perseguição linguística aos profissionais de saúde, indiscriminação indesculpável, quando o problema se relaciona com o problema de organização, nomeadamente os circuitos internos e externos entre os vários serviços de saúde e não com a qualidade individual e colectiva dos mesmos.

As notícias iniciam-se normalmente com o objetivo de uma investida aos profissionais de saúde, normalmente médicos e enfermeiros, como tem sido o caso tão propagado nos últimos dias, fazendo esquecer ou fazendo por esquecer o verdadeiro cerne das questões que ao longo das dezenas de anos têm permitido o aparecimento de situações graves, com mortalidade negligente ou morbilidade por erro, que de certeza nenhum médico ou enfermeiro desejará que deva acontecer.

Mas mais uma vez, tal como o Governo anterior conseguiu desde 2011 dividir o povo português aplicando, com sucesso, uma “guerrilha” entre trabalhadores privados e funcionários públicos, aproveitam ainda o seu anterior poderio para impor nalguma comunicação social (felizmente poucos), manchetes e artigos sequenciais, duvidosos e escusos, abusivos e indiscriminatórios.

Mas mais grave é o facto de se querer originar atualmente uma Guerra entre Médicos e Enfermeiros, verdadeiros suportes na resposta à doença, que infelizmente já começa a dar algum efeito, entre ambas as áreas profissionais, nos trocadilhos que vão aparecendo nomeadamente nas redes sociais mas que nenhuma das quais merece.

O mediatismo que a classe politica sempre estabeleceu para si própria, desde o 25 de Abril de 1974, não deixa de ser alheia a confusão e mal-estar que se vai verificando ciclicamente, cuja fuga se transmite no ataque aos mais frágeis para dar a imagem que tudo tentaram fazer mas uns “tipos que por aí andam a tentar boicotar…”, na minha óptica o que é imboicotável, por indiferença social, desconhecimento do que é ser colectivo, farsa ilusória, passividade apática e por incompetência de alguma classe politica reinante.

O Povo Português não tem culpa;

Nenhum doente recorre a um serviço de urgência sem justificação, indo ao mesmo, por necessidade de querer resolver um sintoma, ou um problema clínico, que por mais pequeno que seja, de certeza que lhe é incomodativo, senão aí não recorreria, estando a perder o seu tempo se não estivesse doente.

Fala-se de organização dos serviços de urgência hospitalares há dezenas de anos; fazem-se seminários com presença de várias entidades como sejam também a Ordem dos Médicos, como em Setembro do corrente ano sobre constrangimentos e oportunidades dos serviços de saúde com individualidades mediáticas da praça pública, seminários esses que se vão repetindo a cada ano como se de uma Bíblia ou Antigo Testamento se tratasse, porque as sapiências eruditas ficam no esquecimento não passando do culto académico para o mundo prático.

Talvez em vez dos melodramas, seja tempo de definitivamente se definirem as prioridades em termos dos serviços de urgência, seja no sentido organizacional, nas necessidades gerais, na articulação entre as diversas identidades seja intra ou extra-hospitalar, na forma de contactar, comunicar e transportar, ultrapassando as fragilidades e os constrangimentos, com o bom senso e o juízo racional que ainda acredito que possa haver neste país.

Amanhã pode ser um de nós que necessitemos de uma resposta célere, qualitativa e multidisciplinar, para continuarmos a viver sem ou com a mínima morbilidade.

Posso ser eu ou você; então lutemos todos por isso com a convicção, o nexo, a responsabilidade e a certeza das coisas serem definitivamente bem feitas.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A Mortalidade Infantil e a Sociedade em Geral

Somos um país que desde o 25 de Abril, deixámos de viver solitariamente para nos tornarmos progressivamente uma pátria com vontade de nos inserirmos na Europa. Melhorámos as condições de vida da população portuguesa, nomeadamente as sanitárias e higiénicas, mas também evoluímos na “salubridade” generalizada o que nos permitiu atingir alguns índices de que nos podemos orgulhar, como tenham sido, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil ou a taxa fetal tardia, o que no início da primeira década do actual século foi orgulho nacional, pelo lugar que pudemos ocupar entre os países mais evoluídos do mundo.

Esta segunda década como é do conhecimento geral, pelas razões também sobejamente conhecidas, Portugal conseguiu levar a peito as palavras do actual Primeiro-Ministro, quando este afirmou ser necessário seguirmos a via do empobrecimento, quer no âmbito Privado, mas essencialmente a nível da Administração Pública.

Um país que em muitos sectores, mas também nos ordenados, ainda se encontrava a alguns anos luz da maioria dos países da Comunidade Económica, viu por via da política em vigor ver regressar a pobreza em força, razão de maior carência de quem já era pobre, como também do descaminho de uma classe média que em número significativo começou a deixar de ter suporte para ultrapassar as dificuldades que no dia-a-dia se foram impondo à vontade do cidadão comum.   

Na época Salazarista eram evidentes, embora encobertas, determinadas doenças como fossem a tuberculose pulmonar, ou a mortalidade infantil elevada, em número que não interessava saber, fruto dos alicerces da ditadura que impedia com os meios ao seu alcance, para proveito de alguns, o atingimento económico ou o entendimento cultural necessário para a evolução de um país e motivação da sua população.

Tal como nessa época, para além da miséria humana que estava instalada, assistimos agora, de novo, ao empobrecimento civilizacional e cultural; civilizacional com o desemprego a aumentar acentuadamente, a fome a reaparecer, os sem-abrigo a aumentarem, a higienização a diminuir, o saneamento básico a desaparecer, os pais a deixarem de ter as condições necessárias para se alimentarem convenientemente ou deixarem de poder dar aos seus filhos o alimento indispensável, designadamente os bebés a serem de novo alimentados com o leite mais barato e impróprio para a idade, levando ao aparecimento de doenças como sejam a disenteria ou malnutrição que lhe são associados com o previsível aumento da morbilidade e mortalidade; cultural, como a diminuição drástica do número de pessoas que vão a espectáculos culturais, o encerramento de cinemas, teatros, museus, fruto da política ou da necessidade de poupança das pessoas para bens alimentares que deixam de gastar dinheiro em actividades “supérfluas”, ou a diminuição significativa de compra de livros, outro índice importante na compreensão do estado cultural de um país.

Entrámos assim na segunda década deste século com um aumento da taxa de mortalidade infantil, que embora teoricamente ainda seja aceitável, não temos dúvidas que o seu aumento gradual mas progressivo desde o ano de 2011, levar-nos-à aos poucos, para valores que se equiparão à nossa actual (in)significância, por mais que o Ministério da Saúde, através do seu órgão Direcção Geral de Saúde, ou a própria Ordem dos Médicos, “pareçam” duvidar das razões da  inversão dos valores que na nossa sociedade actual explicam essa mesma transposição.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"KAROSHI": Trabalhar entre a Vida e a Morte

 
Vivemos numa sociedade contemporânea que cada vez mais exige profissionalmente de nós, ditando e impondo um esforço rigoroso, a uma velocidade vertiginosa, alucinante e clemente, que gera por si uma transformação radical na vida das pessoas.

Passámos a ser os actores principais num mundo de stress, angústias e aperto, onde se vive a um ritmo demasiadamente acelerado, com uma propensão alucinante, provocando um estado de insatisfação constante (e crescente), sem haver tempo para dedicação a “coisas” tão indispensáveis, como saborearmos o bom que a vida nos pode dar, ou "convivermos" com aquilo que nos permita a felicidade espiritual e extrínseca, como sejam a família ou por exemplo a compreensão da própria natureza.

A preocupação com o trabalho é um continuar sem fim, com tarefas permanentemente criadas, inovadas ou inventadas que nos leva a uma entrega e rendição ao "vazio mundano". Temos dificuldade em gerir as 24 horas de cada dia; seria necessário duplicar a hora, para tolerar o ritmo frenético, delirante,  desvairado e alucinante que impreterivelmente pode levar ao esgotamento, exaustão e cansaço físico e psíquico que qualquer de nós pode estar sujeito.

No Japão esse excesso de actividade ligado ao stress ocupacional deu origem a uma nova (velha) palavra "Karoshi" que em si significa "morte por sobrecarga de trabalho", reflectindo-se clinicamente numa das causas de  morte súbita, "ataque cardíaco” ou acidente vascular cerebral.

Segundo a história japonesa o aparecimento desse termo significou alívio para muitas viúvas, filhos e familiares os quais então não sabiam o porquê da razão das mortes, provocando os processos indemnizatórios que então se iniciaram.

Vivemos num mundo moderno, em que o homem passou a ser um computador, provocando entre ele próprio uma competição cada vez mais intensa, enérgica e violenta, ao qual a sociedade se tenta adaptar, mas sem o sucesso previsto. O ser humano passou a ser tratado como um “animal” sem estabilidade nem a solidez pretendida, passando a ser irracional, com falta de harmonia, sem lógica nem discernimento.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Consentimento Informado: Entre o Médico e o Doente

O Jornal O Público noticiou recentemente que o Consentimento Informado deverá ser obrigatório, contribuindo para isso uma norma a ser emanada pela Direcção Geral de Saúde.

A relação entre o Médico e o Doente, tem encontrado nas últimas décadas, novos conceitos, nomeadamente o da Autonomia, que levou a que progressivamente os próprios doentes passassem a ter decisão sobre os actos terapêuticos efectuados no seu “corpo”; para isso também contribuiu o desenvolvimento da disciplina da Bioética, proposto pela primeira vez no século passado, mais propriamente em 1970, provinda das preocupações levantadas pela violência das ditaduras sobre o corpo “físico e psíquico” do ser humano, tornando-se então numa ciência de saber multidisciplinar.

Hipócrates defendeu que o médico deveria tratar o doente como se de um filho seu se tratasse; nesse âmbito defendeu o Paternalismo, sem originar qualquer dano, tendo o mesmo a obrigação de promover o bem, a Beneficência e remover o mal; mas nessa sequência recomendava também que o médico deveria, para não prejudicar o doente, omitir o que considerasse de risco, suprimindo o que se relacionasse com os prognósticos menos favoráveis.

Essa autonomia levou ao aparecimento de um novo paradigma em que o médico deixa de ter o papel de sacerdote, pai ou protector do doente, passando a ser um profissional tecnicamente habilitado, obrigado a informar o doente sobre a sua situação clínica, nomeadamente no que diz respeito sobre a clínica, o diagnóstico, intervenções cirúrgicas, tratamentos médicos ou técnicas para esclarecimento desses mesmos diagnósticos.

Assim se consolidou e fortaleceu um documento com o nome de Consentimento Informado, com origem nas revelações feitas em Nuremberga, das experiências realizadas por médicos durante o nazismo, muitas delas encapotadas de “científicas”, sem que as pessoas envolvidas tivessem podido, por razões conhecidas, manifestar a sua concordância. 

Há quem considere o Consentimento Informado um documento que protege o médico sob o aspecto jurídico, o que não deixa de ser real; independentemente dessas razões é imperativo que mais que um simples “papel” a ser assinado, haja consciência da importância de se saber comunicar com o doente, através do diálogo coerente e eticamente correcto, levando a uma decisão partilhada, que defenda e consolide a faceta do “saber fazer bem ao doente”. 
Fazer bem é saber comunicar, não utilizando termos técnicos inadequados, informar os doentes sobre o seu estado, esclarecê-los sobre as terapêuticas, os riscos e as possibilidades de cura de forma a respeitar a sua autonomia, numa linguagem perceptível, compreensível e de acessível compreensão. 
No entanto há que não esquecer, equacionando toda a Autonomia 
O “fazer bem a um doente” é também não lhe dizer toda a verdade…Respeitar o doente é tal como Hipócrates fazia, actuar com Paternalismo, como um pai deseja o bem para o seu filho e com Beneficência promovendo o bem e removendo o mal, não se valorizando a Autonomia, quando se verifique que o doente não está preparado psicologicamente ou culturalmente para receber uma má notícia, ou haja a suspeita que o mesmo não queira saber toda a verdade a que tem direito. 
A Autonomia é sem dúvida libertária mas a Beneficência e o Paternalismo continuarão a ter uma importância “Divina”, “Moral” e “Ética”, como fundamento do saber para melhor libertar o doente como pessoa do seu sofrimento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Morte Anunciada


 A Doença Oncológica, o seu percurso entre a vida, a morte e a actualidade:


O homem é um animal sociável, inserido numa sociedade em progresso, ciente de que a vida é finita e limitada, com uma meta final que vai atingir, que é a morte, mas que ignora onde, quando e como; sabe ser um ponto sem retorno para esta vida, embora haja quem a considere como uma fronteira invisível que dá acesso a uma outra vida.

O aumento de esperança de vida, a evolução tecnológica progressiva e o aparecimento de novos fármacos na área da quimioterapia, levou não só ao diagnóstico mais precoce da doença oncológica, possibilitando uma vida mais prolongada, mas também eventualmente um final de vida mais desumana, impiedosa e sem compaixão.

A informação e comunicação entre o doente, a família e os profissionais de saúde continua a não ser prestada de forma correcta, nessa preparação para "uma boa morte", razão pela qual numa altura avançada da doença, já incapacitante, com o doente debilitado ou confuso ou demente, a família mais próxima não tem muitas vezes o conhecimento suficiente de qual a melhor conduta, atitude ou procedimento no sentido de poder minorar o sofrimento e atenuar a dor, seja esta física ou psicológica. 

É a fuga...

Sim, sem alternativa estes doentes acabam por ser levados vezes sem conta aos serviços de urgência, onde se trata a doença aguda, num rodopio de caos, desordem e confusão, sem compaixão nem benevolência, repetindo sem necessidade exames laboratoriais e complementares, tal como sofrendo intervenção de técnicas "agressivas" e repetidas e tratamentos diversos, que nesta fase da vida acabam por ser inadequados e lesivos.

Galeno afirmava ser divino suprimir a dor! 

Essa dor, seja física ou psíquica ou moral, deve ser minimizada e minorada desde o inicio do diagnóstico da doença, devendo todo o profissional de saúde estar preparado para aliviar o sofrimento, ouvir e conversar com o doente e a família, numa atitude de empatia e compaixão, regra de ouro para a preparação futura para uma boa morte do doente e para um bom luto dos familiares mais próximos (luto hoje cuja importância continua a ser totalmente ignorado na sociedade actual...do século XXI, dito tão desenvolvido).

A fase final da vida deve, por tudo isso, ser suavizada através dos Cuidados Paliativos, que com equipas multidisciplinares,  permitem amparar, acarinhar e sustentar essas dificuldades, permitindo também temporalmente a meditação sobre o essencial e o acessório, o efémero e o eterno,  possibilitando então o encontro do doente com a sua própria fé e espiritualidade.

Todos temos em alguma fase da nossa vida um familiar próximo com situação oncológica, que nos leva a meditar mais profundamente sobre a vida, as doenças, os tumores, mas também sobre a inoperacionalidade da saúde no nosso país relativamente ao acompanhamento e orientação nas instituições de saúde, como também à necessidade de formação específica dos profissionais, para que possam acompanhar em equipa o doente e os familiares na sua dor, sofrimento e compaixão.

Se todos temos direito à boa vida, também há direito à boa morte em total dignidade, compostura e também com a esperança "para a continuação da vida ou da outra vida, após esta".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Mundo Debaixo Dos Meus Pés


Na melancolia caricatural que nos vai influenciando negativamente, porque temos a tristeza de visualizar o que vai no "mundo politico", valha-nos a ousadia de podermos continuar a pisar a terra deste belo e lindo país que com a sua linda paisagem vai-nos dando ou ajudando a ter a força necessária para animar o nosso ego e motivar o que vai restando da integridade da nossa personalidade...e ainda bem porque se de factores motivantes necessitamos,passa a ser uma obrigação tentar inventar algo que nos ajude a perceber que a primeira vida - a que vai até à morte, deve ser vivida com felicidade, tranquilidade amor e em paz e com a quietude possível.


E foi isso que um dia tentei!

Disso me tento recordar: Numa das minhas saídas sem destino, "lunática", mas matinal, tentei descobrir algo que da nossa natureza pudesse surgir, influenciando um estado de espírito que necessita de energia, vigor, força e potência, como muitos outros também necessitam, desgastado da politiquice "corriqueira" que nos vai consumindo, porque deixou de ser solidária com a sociedade que os elege, substituindo essa mesma solidariedade por "um emprego" rentável aos olhos de quem vai ficando estupefacto pelo nível de decisões que surgem diariamente neste país "ainda" à beira-mar plantado.

Foi quando através da solidão que abre a nossa alma, pensava nas manchas luminosas coloridas do horizonte, nos detalhes imperfeitos dos troncos dos pinheiros, na música de alguma queda de água a certa distância, quando deixei a alucinação visual para trás e voltei à realidade, mas para uma realidade feliz, sem estranheza, a pensar que a fragilidade das nossas mentes dão forma ao inerte e tentam permitir uma melhor compreensão dos mistérios que invadem a nossa consciência.

Estimulado por um recente livro que terminei dias antes denominado "Apagar a Morte" recordei palavras felizes por descobertas cientificas recentes que abalou a minha compreensão de morte e a percepção de que a vida passa para além da morte.

Tenhamos a esperança mantida; como afirma noutro livro Walter Osswald: A Morte é Certa, a Hora Incerta.

 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Deixar de tomar medicamentos é suicidio?

 
Tivemos há alguns anos internado na unidade de cuidados intensivos polivalente um doente que apesar de jovem sofria de problemas cardiacos graves, razão pela qual fazia medicação, entre os quais um fármaco para evitar a coagulação do sangue que poderia originar embolia nalguns orgãos do corpo humano e consequentemente a morte.

Eis senão que um dia deu entrada no Hospital com uma forte dor abdominal, cujo estudo clinico laboratorial e complementar evidenciou e comprovou existir uma embolia arterial no intestino, situação muito grave já que leva à destruição de grande parte do intestino irrigado por essa arteria.

Equacionado sobre os medicamentos que fazia em ambulatorio, referiu ter parado um determinado fármaco, que o médico lhe tinha dito ser fundamental tomar para evitar determinado tipo de problemas, entre os quais, precisamente aquilo que veio a acontecer.

Apesar de ter  receita para levantar na farmácia, decidiu não comprar esse e outros medicamentos segundo afirmou por falta de dinheiro, já que precisava do mesmo para se alimentar.

Tinha também como antecedentes pessoais hábitos alcoolicos e outros hábitos (toxicodependencia?).

Teve de ser operado de emergencia tendo sido retirado toda a extensão do intestino delgado; esteve ligado ao ventilador durante semanas, tendo no entanto sobrevivido.

Poder-se-à considerar uma forma de suicidio sustentado pelos actos, esquecimento da sua própria pessoa, um descuido pese as recomendações médicas, ou então dificuldades económicas que confirmam a impossibilidade de gastar dinheiro na compra dos medicamentos?

Prevejo, sem ser futurista,  que as questões levantadas possam vir a ser prejudicadas pela crise actual, já que os medicamentos são por norma caros, e a prevenção e profilaxia de doenças ou suas complicações acabam por passar para segundo plano, não evitando o aparecimento de doenças futuras que irão custar ao erário público milhares de milhões de euros, mais um adjuvante para agravar a crise de tão dificil controle.