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domingo, 26 de março de 2017

Diário de leitura - Livro "Para onde vão os guarda-chuvas"" de Afonso Cruz


É o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Surpreende-me pela forma simplicista como escreve sobre tanta coisa, levando-nos a uma reflexão permanente sobre a sociedade e as pessoas que nela são integradas, tentando evidenciar que pese as diferenças sociais, religiosas e politicas, num contexto de questões delicadas entre os muçulmanos, hindus e cristãos, pode haver ainda tolerância, paz e amor, num mundo onde a intercolaboração pacifica é cada vez mais difícil.

Estamos perante o oriente efabulado com o que tem de mágico, como de perverso, numa história que se vai desencadeando, como se tudo se pudesse jogar metaforicamente através das peças de um tabuleiro de xadrez, peças transformadas em personagens, entrecruzadas ao longo da história, desde a procura do amor aos acessos de violência, às várias tragédias pessoais que vão ditando e impondo o essencial ao longo das 620 páginas do livro.

Toca em questões tão delicadas como sejam os maus tratos em crianças ou prostitutas, a exploração infantil, a violência sobre a mulher, os interesses políticos, o terrorismo ou a intolerância religiosa.  

É uma escrita simples, melodiosa, sem artifícios desnecessários que fala sobre tanta coisa bonita, que dá vontade de pegar no livro várias vezes para reter tantas bonitas passagens que o mesmo nos transmite. 

Tem um final duro e inesperado.

Classificação 5/5 conversador, obrigatório.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Opinião - CGD e Cáritas: o Enredo e o Poder Labirintico


Será a vida um enredo, que nos faz focalizar e evidenciar o espectro  de um antagonismo que muito nos deveria dizer, mas que nos confunde como se olhássemos para um infinito colorido de azul, mas cuja visão nos faz desfocar e ver uma cor desarmónica, ou estaremos na realidade perdidos numa teia de poder labiríntico cuja cor é mesmo real, mas que o poder no mundo consegue afastar a ilusão protagonista da realidade encapotada?

Isto a propósito das noticias diárias que a comunicação social vai ditando, nomeadamente nas capas dos desvios “normais” de milhões de euros, noticias tão frequentes, que da sua normalidade só podemos estranhar se no mundo, de repente se pressentir o silêncio e o peso da entranha que nos dá os sentimentos para acreditar que não estamos perante qualquer verdade, mas sim precisamente num enredo ficcional.

Coube a vez da Caixa Geral de Depósitos apresentar os prejuízos, sendo o valor mais elevado da história do Banco, como se a nossa memória recente e não só, tivesse sido omitida, porque o acaso nem sempre é uno, tal como a nossa capacidade de memorização pode ser indissolúvel  a esse ponto.

Ou o caso da Cáritas, instituição criada pela Igreja para ajudar os pobres da diocese de Lisboa, que ostenta depósitos bancários desde há anos, de milhões de euros e que vem justificar essa almofada financeira com a necessidade de acautelar o agravamento da crise económica e social.

Sem dúvida que este enredo provoca uma narrativa sem ética, nem valores, nem princípios que se devam adequar ao que deveria ser na realidade o mundo privado e livre da hipocrisia e falsidade, pois que tudo serve para inventar a inexistência do caminho normal de onde se deva sair com postura de quem luta pela vida, seguindo os preceitos da dimensão educacional que permita uma competição distinta do logro e do embuste.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Meditações - Socorrer e Sofrer

Resultado de imagem para socorrer e sofrer

Aquela noite de lua cheia, a do desenlace fatal, ficou irremediavelmente fixa na retina, pese o passar dos anos e a experiência de uma vivência de acontecimentos violentos que nos levam a adaptar e conformar nas situações violentas e hostis por mais incómodas que sejam.

Todo o profissional mantém a frieza e a lucidez necessárias para que qualquer situação de socorrismo corra o melhor possível, o que normalmente acontece.

Mas o que observámos era cruel, ninguém merece aquilo!

O carro lateralizado, a flutuar, como se de um barco se tratasse a navegar em alto mar. Pessoas dentro do mesmo, em ambiente “estranho” como movimentos involuntários como se estivessem a nadar, pese o pouco espaço existente; a intervenção rápida das equipas de socorro e desde logo a perceção do desmoronar futuro de algumas das cadeias familiares, pelo sofrimento e pela saudade futura dos seus entes.

Era a juventude no seu primeiro quarto que a vida lhes poderia dar

Socorrer é também sofrer!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Os Meus Rascunhos - Brasil, o Paraíso Descontente


“O Brasil não é um país para principiantes” frase de Tom Jobim, que resume o Brasil atual, com Lula sob a alçada da Justiça ter sido levado para um lugar de Ministro por Dilma, conseguindo a imunidade judicial de alegado branqueamento de capitais mediante ocultação de património e falsificação de capitais, envolvido em escândalos de corrupção.

Quem não teme não deve;

Brasil é um país com todas a condições para ser dos mais ricos do planeta, mas fica demonstrado por este ato “pensável”, que não se viverá uma democracia na verdadeira essência da realidade, onde grandes interesses se sobrepõem à melhoria das condições de vida da população, onde praticamente não existe uma classe média, nem existem previsões de melhoria, numa economia que neste momento não é sustentável.

O recente Mundial de Futebol já havia demonstrado grandes manifestações de descontentamento num país cujo ordenado mínimo ronda os 135 euros e os bilhetes dos jogos custavam em média cinco vezes esse valor.

E agora, Brasil?

As atenções quer nacional e internacional irão estar centradas, mais uma vez, no comportamento do povo em termos de manifestações, violência e por outro lado, revendo o pensamento durante o mundial de futebol, de aprovação de legislação que eventualmente vise proibir manifestações, equiparando-as a atos de terrorismo ou utilizando outros meios de dissuasão que mantenha a possibilidade dos acusados em sede de tribunal, nomeadamente de prisão, poderem a andar a passear e confortavelmente poderem ser acusados e condenados como qualquer pessoa no mundo democrático a isso está sujeito

Cazuza, cantor, poeta e compositor brasileiro tinha razão quando pediu “Brasil mostra a tua cara” e gritou “que país é esse?”



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Diário de leitura - Somos Estrangeiros no Nosso País


Reli recentemente o livro “O estrangeiro” de Alberto Camus. Revi-me como a maioria da população portuguesa a vaguear entre os extremos do que são a incompreensão e a existência de sentimentos, tal como é a realidade genérica desta obra.

Estamos num país que foi empobrecendo ao longo das últimas décadas pela existência de personalidades (plural ou singular tanto faz) que permanecendo em cargos de liderança, permanente ou alternadamente, não mostraram ambição para a mudança, ou modificação do estado de “ruína” económica em que nos encontramos, através de um desinteresse abismal, enorme e absurdo, numa falta de sentimentos pelos sacrifícios que a população neste momento sofre e suporta, no meu entender a verdadeira realidade da personagem principal do livro.

Durão Barroso resolveu sem concurso, como devia ser norma, nomeadamente de alguém que teve a responsabilidade máxima na Europa, o problema de emprego do filho no Banco de Portugal, saltando por cima da legalidade e da legislação que o mesmo bem conhece, e que lhe “deu jeito” esquecer.

João Soares também se lembrou dele próprio e não do desemprego que grassa em Portugal, resolvendo com o atual governo o problema da empregabilidade do filho, licenciado em história, tornando-o assessor no Ministério da Educação.

Como tantos outros casos, que vão sendo divulgados na comunicação social e nos meios sociais, esse tédio pelos reais problemas do país, a observação cínica pela realidade da classe média e da classe pobre, faz supor que somos cada vez mais estrangeiros num país que tem uma soberania dúbia, sendo integrante de vários países, se nos lembrar-mos da venda ignóbil e sórdida de grande parte do património português – faltava também parte da TAP ser entregue aos chineses, como tivemos conhecimento há poucos dias.

Mersault, personagem principal é a passividade de um povo que tudo consente, porque nem armas legais tem ao seu alcance, acabando apenas por dizer o indispensável e o imprescindível. Ele demonstra, principalmente na parte final do livro, a ideia da indiferença perante a vida, desprovida muitas vezes de sentido, dando uma visão céptica da realidade por desinteresse de fazer parte de uma sociedade que descrê nos seus valores, que deveriam ser dominantes, mas que deixaram de existir, moralmente e eticamente.

Se este livro escandalizou, por provocação a época em que foi publicado, hoje a personagem principal espelha a imagem da desagregação politica e social de um mundo em que Portugal, infelizmente, é um exemplo real.   


quinta-feira, 27 de março de 2014

Camões, Reaparece Para Ressuscitares Este País

Andamos alucinados porque tudo o que se tem passado neste país não deixa de ser uma mera ilusão, porque não desejamos acreditar. Não acreditamos porque tivemos um Camões que através dos Lusíadas incutiu-nos no ensino secundário a nossa independência, lembrando a acção grandiosa dos portugueses por esse mundo inteiro.

Não acreditamos porque continuamos a pensar que D. Sebastião por aí andará perdido algures em África, homem imortal que qualquer dia aparecerá para salvar a honra de um país que a perdeu, não sejam só os Judeus a terem a paciência de esperar pelo seu próprio Messias, com sentido semelhante mas mais amplo, pois quando nascer virá salvar o mundo, embora eu próprio não saiba se nessa altura ainda haverá mundo…

Descremos porque não existe dia nenhum que não se fale em cortes visando diversas áreas de actividade, mas essencialmente a Administração Pública, alvo preferencial e mais fácil de atingir, seja nos salários, sejam as reformas, sejam os suplementos remuneratórios, sendo esses profissionais tratados como se bodes “expiatórios” se tratassem, ou seres que deixaram de ser humanos por se entender que enfermam do pestífero, camuflando-se desta maneira a completa incapacidade governativa de quem na última década tem tido a inaptidão e por isso a contribuição e o tributo da derrocada em que nos encontramos.

A história relembra durante passados séculos a nossa paciência infinita, porque o povo português prefere ser conformado e resignado, preferindo acomodar-se à realidade da actualidade, caricaturar a classe política corrupta nos meios sociais, em vez de exigir responsabilidade social, jurídica e penal para de vez acabar com o fosso entre quem está “está lá em cima”, muito longe do conhecimento do que se passa na realidade do dia-a-dia “cá em baixo”, seja nas empresas, nos hospitais, nos centros de solidariedade, na rua, no contacto directo permanente com as populações e não só em vésperas eleitoralistas, tentando percepcionar assim o porquê das dificuldade que o cidadão comum e anónimo está na sua maioria a passar na actualidade.

A única certeza que podemos ter é involução social, de um povo que deixou desde a existência de Camões, de ter Armas e Barões Assinalados e muito menos gente remota que na altura muito edificou e sublimou; ficam para a posteridade essas lindas palavras que nos podem motivar no nosso trabalho do dia-a-dia, mas que no entanto sabemos que não passam de meras palavras vãs, ocas e fúteis, porque de ilustres apenas a panaceia do desastre verbal dos deputados e governantes por completo desconhecimento da realidade, ou de grandes interesses pessoais.

Até Fernando Pessoa nas “Mensagens” retratou Portugal no seu declínio, clamando e apregoando a necessidade de uma nova força anímica, não o tendo no entanto conseguido transmitir à população, tal como foi reconhecido o valor da sua obra, pela qual todos temos uma estima e um respeito de grande apreço.
   
Até lá vamos acreditando que não vivemos neste país empobrecido, repleto de mitos, de incertezas, em que a falta de esperança porque se deixou de acreditar…É apenas mais um sonho que estamos a ter.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Do Burro Mirandês à Sardinha do Algarve




O jornal norte-americano “The New York Times” destacou numa sua edição recente o Burro Mirandês, comentando que o Burro é um animal que está em extinção e que só sobrevive com subsídios europeus, construindo assim uma metáfora, relativamente à sua semelhança com os seres humanos, ao esclarecer que o destino dos mesmos se comparam com uma população em declínio, dependente da União Europeia para poderem sobreviver.

Somos sem dúvida um povo empobrecido por décadas de ingenuidade e credulidade provocados pela falta de sensibilidade da classe política à sua verdadeira razão de ser e existir, nomeadamente na necessidade de melhoria das condições económica e social do povo português, que por motivos sobejamente conhecidos nunca foram atingidos, muito menos contemplados.

De tal maneira a pseudo-inocência existe na política que nenhumas vozes se levantaram na defesa em nome da dignidade e do patriotismo: Não havia Submarinos à mistura para defendermos os nossos peixes, nem Freeports a ser construído em terreno agrícola para impedirmos o habitat dos pássaros, nem Túneis para deixarmos de ver a luz do dia, nem…  

O político português, como é regra nestas situações, preferiu ser ultrajado e caluniado, ficar taciturno, ser discreto e manter-se reservado, em defesa da pátria, pois não fosse ficarmos sem o dinheiro do arrendamento das Lajes, ou aparecer por aí uns pós poluentes e então mais Burros ficaríamos…

Mas somos um país virtuoso, que temos o mérito de respeitar os animais, sejam os Burros ou outros, mesmo a raça humana que não deixa de ser um animal, embora racional.

Por isso somos Nobres;

Recebemos o estrangeiro, incluindo o Povo Norte-Americano, com o nosso sorriso, oferendo-lhes as nossas praias com o seu sol resplandecente, colorido, agradável e cerimonioso, as ondas onde a uma temperatura mais agradável podem vir surfar, a gastronomia cuja qualidade e quantidade tem uma fama e um saber que percorre o mundo, paisagens magníficas, monumentos únicos e ímpares que contam a história do mundo, construídos milhares de anos antes da descoberta da América do Norte e os animais de Raça Portuguesa, como o Burro Mirandês, o Cão de Água, ou a Sardinha

Ainda bem que o Burro Mirandês é nosso; 

Tal como exportamos calçado, literatura, investigação, mas acima de tudo trabalho (vejam ou revejam o filme “Gaiola Dourada”), é altura de exportarmos o Burro Mirandês, aproveitando o grande interesse pelo mesmo dos Norte-Americanos, para que fotografia aparecida na primeira página do jornal possa perdurar pelos séculos seguintes ficando como um animal histórico por via dos poucos séculos de existência desse País.

Grande, simpático, dócil, companhia dos idosos durante a sua vida de ancião, obediente ao dono que respeita, passou a ser assim, sem o saber, um animal mediático por ter aparecido em capas de jornais e por vias disso começará de certeza a ser pretendido e cobiçado por outros povos distantes e remotos, tal como o foi o Cão de Água Português.

Esperemos que haja continuidade ao conhecimento e divulgação de muito mais que este país tem de cultura e faz parte da sua história passada, mas continua a ser regra no presente; se de conselhos existe necessidade, então que venham artigos e imagens sobre a Sardinha do Atlântico ou Algarvia, o Galo de Barcelos, ou em última análise sobre os coisos da Louça das Caldas, a cerâmica, a pintura, a filigrana, os azulejos, …

domingo, 10 de abril de 2011

A cegueira é trágica, a surdez é cómica


Acabei de ler dois livros que tratam temas semelhantes, um mais humorístico “A vida em surdina” de David Lodge e outro mais técnico “Vejo uma voz” de Oliver Sacks.

Ambos focam uma viagem ao mundo da cegueira e da surdez. Acabam por ser um manifesto sobre a capacidade física e psíquica diária do ser humano e a sua adaptação a circunstâncias que a força de vontade, o temperamento, a educação, a resignação, a tolerância, a conformação e a paciência acabam por ser os aspectos válidos que equilibram ou não a atitude psíquica e também física que orientam a postura do dia-a-dia.
Este fim-de-semana foi rico em acontecimentos políticos: O Congresso do partido socialista em Matosinhos, do partido social-democrata da Madeira e a apresentação do cabeça de lista desses mesmos partidos nomeadamente em Lisboa e Porto. Uma das poucas referências nacionais que concorreu nas eleições para a presidência da república sem apoios dos partidos e que conseguiu na altura agregar à sua volta uma “multidão” eleitoral, cansada da tortura diária do fenómeno político que nas últimas décadas foi afundando lentamente este barco denominado Portugal, que tudo detinha para atracar em bom porto, acaba por se saber ser candidato por um dos partidos por Lisboa.
Não está em causa a pessoa em si, mas os métodos utilizados pelos partidos políticos, que mais uma vez demonstram a forma mais simples de se tentar angariar votos neste país, fenómeno mais importante que tentar a resolução dos problemas que cada vez mais afectam a população portuguesa.
Ainda por cima tudo se faz e continua a fazer numa altura de grave crise em que se espreita a bancarrota das nossas finanças e para cúmulo os partidos políticos não se conseguem entender quantos às exigências da Europa (só falta alguém do FMI ou do BCE chegar e impor as sua regras como finalizadas e impostas, o que na minha óptica seria mais uma vergonha nacional).
Por isso mesmo, sem dúvida que a surdez parece ser cómica e a cegueira poderá mesmo vir a ser trágica.
Foi por isso que recordo essas duas obras de literatura recentemente lidas: Um dos livros apresenta momentos hilariantes, principalmente à custa da deficiência auditiva que cria a um professor universitário momentos de grande embaraço, tendo em conta os males entendidos que provoca. Apesar disso tudo é aparentemente muito simples, as personagens não podem ser mais humanas e a escrita é clara e sem floreados, embora de um rigor extraordinário. David Lodge, que sabe descrever as dores mais comuns dos seres humanos, como a solidão, a incompreensão, a velhice, o desespero, consegue também contrapor a esperança, o amor e uma espécie de ternura nada sentimental mas poderosa.
É essa mesma esperança que os portugueses procuram neste momento; a surdez não é cómica, só se for uma farsa, ou um embuste. É isso que estamos acostumados a ouvir no nosso dia-a-dia, mas esperemos com o optimismo que apesar de tudo ainda é apanágio do povo português, que aos poucos se possa subtilmente fazer a viragem necessária, para a democracia absoluta que ainda não temos.

Esta obra ajuda-nos a isso: escrita em tom satírico, permite-nos rir das pessoas, mas de modo a servirmo-nos disso para ver as coisas através de um novo ângulo.