O jornal norte-americano “The New York Times” destacou numa sua edição recente o Burro Mirandês, comentando que o Burro é um animal que está em extinção e que só sobrevive com subsídios europeus, construindo
assim uma metáfora,
relativamente à sua
semelhança com
os seres humanos, ao esclarecer que o destino dos mesmos se comparam com uma
população em
declínio,
dependente da União
Europeia para poderem sobreviver.
Somos sem dúvida um povo empobrecido por décadas de ingenuidade e
credulidade provocados pela falta de sensibilidade da classe política à sua verdadeira razão de ser e existir,
nomeadamente na necessidade de melhoria das condições económica e social do povo português, que por motivos sobejamente
conhecidos nunca foram atingidos, muito menos contemplados.
De tal maneira a pseudo-inocência existe na política que nenhumas vozes se
levantaram na defesa em nome da dignidade e do patriotismo: Não havia Submarinos à mistura para defendermos os
nossos peixes, nem Freeports a ser construído em terreno agrícola para impedirmos o habitat dos pássaros, nem Túneis para deixarmos de ver a
luz do dia, nem…
O político português, como é regra nestas situações, preferiu ser ultrajado e caluniado, ficar taciturno,
ser discreto e manter-se reservado, em defesa da pátria, pois não fosse ficarmos sem o
dinheiro do arrendamento das Lajes, ou aparecer por aí uns pós poluentes e então mais Burros ficaríamos…
Mas somos um país virtuoso, que temos o mérito de respeitar os animais,
sejam os Burros ou outros, mesmo a raça humana que não deixa de ser um animal, embora racional.
Por isso somos Nobres;
Recebemos o estrangeiro, incluindo o
Povo Norte-Americano, com o nosso sorriso, oferendo-lhes as nossas praias com o
seu sol resplandecente, colorido, agradável e cerimonioso, as ondas onde a uma temperatura mais
agradável
podem vir surfar, a gastronomia cuja qualidade e quantidade tem uma fama e um
saber que percorre o mundo, paisagens magníficas, monumentos únicos e ímpares que contam a história do mundo, construídos milhares de anos antes da
descoberta da América
do Norte e os animais de Raça Portuguesa, como o Burro Mirandês, o Cão de Água, ou a Sardinha.
Ainda bem que o Burro Mirandês é nosso;
Tal como exportamos calçado, literatura, investigação, mas acima de tudo trabalho
(vejam ou revejam o filme “Gaiola Dourada”), é altura de exportarmos o Burro Mirandês, aproveitando o grande
interesse pelo mesmo dos Norte-Americanos, para que fotografia aparecida na
primeira página
do jornal possa perdurar pelos séculos seguintes ficando como um animal histórico por via dos poucos séculos de existência desse País.
Grande, simpático, dócil, companhia dos idosos durante a sua vida de ancião, obediente ao dono que
respeita, passou a ser assim, sem o saber, um animal mediático por ter aparecido em
capas de jornais e por vias disso começará de certeza a ser pretendido e cobiçado por outros povos distantes
e remotos, tal como o foi o Cão de Água Português.
Esperemos que haja continuidade ao conhecimento e divulgação de muito mais que este país tem de cultura e faz parte
da sua história
passada, mas continua a ser regra no presente; se de conselhos existe
necessidade, então que
venham artigos e imagens sobre a Sardinha do Atlântico ou Algarvia, o Galo de
Barcelos, ou em última
análise
sobre os coisos da Louça das Caldas, a cerâmica, a pintura, a filigrana, os azulejos, …