quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Humor - A Charrete poderá vir aí de novo!


Imagem relacionada A Charrete poderá vir aí de novo!

A iminente falta de combustível a partir do dia 12 de Agosto, leva-nos a ponderar alternativas à longa espera que se avizinha nas bombas de gasolina, seja pelos serviços mínimos ou máximos já que com grande confusão ninguém se vai entender num país democrático (será que é isto um país democrático?).

A opção da Charrete, que por aí existem muitas, sejam em grandes garagens sujas de pó (não a Charrete que se encontra limpa) ou nos muitos Museus espalhados por este país fora, (aí sim, limpos por falta de visitantes), é uma das mais válidas para o nosso século, nomeadamente num século tão impoluto (como diz Trump), como eram os séculos passados (com excepção do XX).

A poupança será tremenda, ainda mais quando movidas por tração humana (em cuidando a necessidade de calorias, podendo os supermercados estarem desprovidos de tais substancias), ou então ainda maior quando impelidas por animais não humanos como os cavalos, burros (cuidado com estes) ou até mesmo os bois (sugere-se a sua utilização se não se gostar de touradas).

Não se esqueçam de apurar o estado das canas de pesca e do engodo, que o facto dos animais terem de ter períodos por vezes longos de repouso, prevê-se a duração das viagens, se por exemplo se for até ao Algarve, necessidade que poderá levar a pescar umas carpas ou achigãs perdidos por barragens ou albufeiras que não tenham sofrido a evolução com a presença do ser humano como exemplo a existência dos siluros, seres manipulados pelas mesmas mãos que manusearam levando a invenção daquelas “coisas” que se chamam carros (ou automóveis).

Assim irão ter umas boas férias, que eu também vos desejo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Reflexões de Médico - A Solidão nos Hospitais

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Estar doente é como que viajar de comboio através  de  uma  rota  com  um  trajecto  extenso, caminhos muitas vezes tortuosos e/ou sinuosos, com curvas apertadas que fazem os mesmos ficar nauseados, enjoados e por vezes agoniados.


Felizmente que nesse percurso se encontram paisagens paradisíacas, apesar da velocidade e da rapidez do comboio, que pode ultrapassar a nossa possibilidade visual de acompanhamento, momentos únicos que se devem aproveitar, na esperança que possamos visualizar o limite que a emoção pode na prática permitir.

O compartimento é pequeno; acaba por tornar a viagem não só tortuosa como também atribulada, através dos carris ou trilhos previamente dispostos manualmente, sob a força da violência e a vigilância das armas, troços que deixam imagens que não se vêem por serem doutra época, mas que o nosso cérebro consegue imaginar como se fosse ontem que tivessem sido fotografadas.


Estar internado por doença é poder esquecer as saudades de algo, não conseguir perguntar muito, viver numa sociedade diferente, com regras diferentes e prioridades distintas daquilo que é o hábito na presença da colectividade global.

O doente sente estar entregue a si mesmo, tão só, embora intensamente acompanhado, tão perdido numa solidão que não é a sua, sem um nome porque passou a ser o número da cama, despido porque não tem os seus objectos pessoais, num palco de movimentos e ritmos atentos, mas de rigor absoluto desde o trabalho e a avaliação, cuidadosa e vigilante dos profissionais, às análises que são efectuadas regularmente, às máquinas que medem, avaliam e tudo controlam.

Apesar da inquietação, apesar do dever acreditar que a medicina evoluiu muito, apesar do dia ser breve embora longo, apesar de saber que o dia tem 24 horas não percepcionando a hora aproximada do ciclo circadiano, ouve-se o barulho envolvente, os comentários da certeza ou da incerteza, os assuntos de discussão do dia a dia, da crença ou da descrença, que leva a saber que afinal ainda vive num mundo real, embora diferente.

Revisita-se a si próprio; sabe que vai sobreviver, dando término à sua odisseia, conseguido então chegar a um porto com destino que era o pretendido, no sentimento da sua própria compaixão perante a injustiça de ser ele próprio e não outro.

O apego à vida na sua forma de relação com o transcendente, ajuda ao combate pleno contra a doença, numa recusa de desistência através de uma combatividade de um corpo que é máquina mas também engloba a mente, voz interior que nos comanda, reforço que dá a força e a esperança necessária para se continuar a lutar, fazendo o regresso da viagem de comboio, com um vigor diferente, uma energia motivante, determinação de continuar a realizar viagens por esse mundo fora.

É o sentimento de muitos que passaram pela doença ou pelo internamento por doença.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Diário de leitura - Livro "Lincoln no Bardo" de George Saunders
















No Tibete, o livro Tibetano dos Mortos explica-nos a existência da terra dos mortos habitado por fantasmas, chamando-se bardo ao "transito" entre a morte e a reencarnação.

George Saunders levou mais de quatro anos a descrever a história, percebendo-se após a leitura o seu dimensionamento, nomeadamente no sentido de pesquisa, já que retrata uma época de guerra civil tendo como fundo a presidência de Abrahan Lincoln. A partir da morte do seu filho William, Saunders constrói um romance, tendo de visão, por um lado a visita do pai de William à sua sepultura, descrevendo o que se passa durante a noite, acentuando a vida imaterial através de uma história idílica sobre os fantasmas que aí permaneciam e por outro lado o sofrimento humano tanto de um pai como as variadas histórias que os fantasmas vão desvendando da sua personalidade observável a partir do "outro mundo".

É um romance não isento de emoção que faz pensar sobre o espiritismo, o que existirá do outro lado, ou se como muitas vezes digo, se há vida para além da vida.

Classificação 7/10, livro cordial.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Meditações - Ser visível ou invisivel

Somos visíveis no mundo em que vivemos, porque acreditamos através da nossa mente que vimos tudo o que se estende ao longo do horizonte que os nossos olhos alcançam através do mais ínfimo pormenor, desde que a retina, mesmo nublada, o permita observar.

Também somos visíveis porque vivemos numa sociedade com as suas regras próprias, valores distintos e os preceitos normativos que por mais que se queiram ocultos, ou que se pretendam renegar, estão e estarão sempre presentes seja em democracia ou estado autoritário, que vão dominando as pessoas e a sua cultura ou incultura, conforme o que mais fé possa dar à classe dominante e/ou politica.

Então e ser-se invisível, com a possibilidade de ver doutra forma o mundo em que vivemos, a configuração bizarra dos comportamentos humanos na senda de uma vida que se vai tornando mecanicista e corporal como se funcionássemos através de um backOffice, desentorpecimento que o mundo tenta expor, fruindo aparentemente de uma evolução de bem-estar e boa aventurança, de atitudes pessimistas encobertas na sociedade em que se vive.

Poder ser-se invisível durante algum tempo, o suficiente para indagação do comportamento diário da sociedade que nos rodeia e em que todos nos inserimos, poder-se-á aprender como mudar uma comunidade para melhor, destapando-a dos seus buracos e covas, cobrindo estes com areia ou cimento, progredindo para uma felicidade sem paradoxo mas com nexo, atingindo-se um bem virtuoso, que aos nossos olhos também se poderá juntar a nossa voz, feições menos formatadas e modos mais virtuosos, tal que permita que um qualquer sonho possa vir a ser uma realidade não ficcionada.   


domingo, 26 de março de 2017

Diário de leitura - Livro "Para onde vão os guarda-chuvas"" de Afonso Cruz


É o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Surpreende-me pela forma simplicista como escreve sobre tanta coisa, levando-nos a uma reflexão permanente sobre a sociedade e as pessoas que nela são integradas, tentando evidenciar que pese as diferenças sociais, religiosas e politicas, num contexto de questões delicadas entre os muçulmanos, hindus e cristãos, pode haver ainda tolerância, paz e amor, num mundo onde a intercolaboração pacifica é cada vez mais difícil.

Estamos perante o oriente efabulado com o que tem de mágico, como de perverso, numa história que se vai desencadeando, como se tudo se pudesse jogar metaforicamente através das peças de um tabuleiro de xadrez, peças transformadas em personagens, entrecruzadas ao longo da história, desde a procura do amor aos acessos de violência, às várias tragédias pessoais que vão ditando e impondo o essencial ao longo das 620 páginas do livro.

Toca em questões tão delicadas como sejam os maus tratos em crianças ou prostitutas, a exploração infantil, a violência sobre a mulher, os interesses políticos, o terrorismo ou a intolerância religiosa.  

É uma escrita simples, melodiosa, sem artifícios desnecessários que fala sobre tanta coisa bonita, que dá vontade de pegar no livro várias vezes para reter tantas bonitas passagens que o mesmo nos transmite. 

Tem um final duro e inesperado.

Classificação 5/5 conversador, obrigatório.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Meditações - O Equivoco e a Mente


Aquele era o dia que eu previa, pelos sonhos nocturnos, que me iria ressentir de algo que não sabia o quê. Talvez dia aziago, diferente do habitual, pensamentos decadentes, as lágrimas eram nulas e vãs, mas a vontade era preenchida por aquilo que eu considerava como enferma, para algo que a minha mente antecipou, mas cujo propósito final continuava a ser um desígnio ainda obscuro e apagado, não o conseguia aclarar.

O mundo é uno, as surpresas das atitudes são por vezes um pasmo se não assombros da própria natureza humana, porque se vivemos num mundo real em que tudo o que nos rodeia é autentico, então o que nos poderá acalentar e tranquilizar por aquilo que sabemos sentir, mas não conseguimos fazer a leitura correcta porque a língua é indivisível e muitas vezes indissolúvel.

O mundo engana-nos, mas nós também nos enganamos, ou porque estamos distraídos e não esperamos, ou porque não sabemos que a vida é futura e não passada. A vida não é una, desorienta-nos, faz-nos esquecer, somos ser andantes, por aí andamos, como que esquecidos, engalanamos e adornamos aquilo que nos parece real, mas se calhar é mentira, mentimo-nos a nós próprios.

As perguntas são desfechos que nos entrelaçam, muitas vezes, por inesperadas e injustas nos mantém mudos e credos, os anos passam, o ambiente envolvente bole o cérebro à sua própria maneira de pensar ou de “dar jeito”, sim, é tempo de acreditar naquilo que não nos afiança a pureza das palavras, sejam vãs, vazias ou mesmo ocas. É esse o potencial de acção que as conexões sinápticas querem permitir aos axónios para que a sua desenvoltura as possa sentir, aceitar, desenvolver, ampliar e “espigar”.

O erro é um equivoco, por isso mesmo nos confunde como se uma realidade fosse…, Mas não é! 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Opinião - CGD e Cáritas: o Enredo e o Poder Labirintico


Será a vida um enredo, que nos faz focalizar e evidenciar o espectro  de um antagonismo que muito nos deveria dizer, mas que nos confunde como se olhássemos para um infinito colorido de azul, mas cuja visão nos faz desfocar e ver uma cor desarmónica, ou estaremos na realidade perdidos numa teia de poder labiríntico cuja cor é mesmo real, mas que o poder no mundo consegue afastar a ilusão protagonista da realidade encapotada?

Isto a propósito das noticias diárias que a comunicação social vai ditando, nomeadamente nas capas dos desvios “normais” de milhões de euros, noticias tão frequentes, que da sua normalidade só podemos estranhar se no mundo, de repente se pressentir o silêncio e o peso da entranha que nos dá os sentimentos para acreditar que não estamos perante qualquer verdade, mas sim precisamente num enredo ficcional.

Coube a vez da Caixa Geral de Depósitos apresentar os prejuízos, sendo o valor mais elevado da história do Banco, como se a nossa memória recente e não só, tivesse sido omitida, porque o acaso nem sempre é uno, tal como a nossa capacidade de memorização pode ser indissolúvel  a esse ponto.

Ou o caso da Cáritas, instituição criada pela Igreja para ajudar os pobres da diocese de Lisboa, que ostenta depósitos bancários desde há anos, de milhões de euros e que vem justificar essa almofada financeira com a necessidade de acautelar o agravamento da crise económica e social.

Sem dúvida que este enredo provoca uma narrativa sem ética, nem valores, nem princípios que se devam adequar ao que deveria ser na realidade o mundo privado e livre da hipocrisia e falsidade, pois que tudo serve para inventar a inexistência do caminho normal de onde se deva sair com postura de quem luta pela vida, seguindo os preceitos da dimensão educacional que permita uma competição distinta do logro e do embuste.