quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Os Meus Rascunhos - Couço Revisitado


Revisitei o Couço, local onde nasci, cerca de 45 anos após ter saído da mesma, ao ter de acompanhar os meus pais noutros voos que os mesmos tinham em vista.

A emoção esperada no passeio de "reconhecimento", redescobrindo aquilo que me parecia ainda ter na minha memória de infância, imagens límpidas e transparentes de uma realidade já passada, mas tão atualizada que parece que foi ontem que deixei esta tão histórica aldeia.

Um almoço bem preenchido no restaurante os maias com torresmos divinais e pezinhos de coentrada tão saborosos, regado de bom vinho a pressão, foi o condimento para continuar a sublinhar o enternecimento e o sentimento que continuará na minha alma e no meu físico até à sua plena finitude.


Um dos locais onde vivi anos, na casa ao lado da igreja, bem visível na memória, com histórias passadas que o meu subconsciente não esquece, nem esquecerá, porque com tanta lucidez me vieram à memória e transbordaram o inesperado.


O rio Sorraia, a pesca de barco, o Sr. Alfredo a ensinar-me a fazer barcos de cortiça, a sua padaria, as aventuras com os amigos, a escola primária, os avós, os tios, os primos, os amigos, as viagens de carroça do monte da Boavista ou da Corlinha, a vida da minha infância!


Não esquecerei, nunca, o local onde nasci e que revisitei tantos anos depois´e que pretendo regressar.


sábado, 5 de novembro de 2016

Diário de leitura - Livro "Zero K" de Don Delillo

O novo romance de Don Delillo, tenta relacionar a morte, na sua imortalidade tentada, com o aspeto material, tendo como narrador principal o filho de um sexagenário bilionário que investiu num secreto laboratório de investigação sobre vitrificação, criopreservação e nanotecnologia, lugar sinistro e vigiado, onde se preservam os corpos até um futuro indefinido que possa haver o conhecimento necessário para regressarem à nova vida. 

No fundo considera a força do dinheiro no sentido de evitar a morte, adiantando-se à mesma e eternizando a sua individualidade póstuma, reduzindo a sua identidade à imagem de um corpo que não se decompõe.

O narrador intercala a vida espiritual do pai com o envolvimento real do mundo que os envolve.

Livro tocante, bem escrito, com uma prosa irreparável, mas cuja “complexidade” no leva a ter de ler o livro com a calma necessária para podermos acompanhar as sucessivas perplexidades envolventes.


Classificação 4/5, livro com alma

sábado, 29 de outubro de 2016

Ver um filme - O Caso Spotlight

Só agora tive a oportunidade de ver o filme “O Caso Spotlight”, vencedor do Óscar de melhor filme de 2016.

Através do jornalismo de investigação uma equipa de jornalistas, empenhou-se em encontrar provas irrefutáveis sobre o encobrimento da Igreja Católica aos abusos sexuais na Instituição Eclesiástica, nomeadamente em Boston.

Décadas de encobrimento, com ocultação claramente “mafiosa” numa esfera centralizada ao nível religioso e político, levaram à complexidade da investigação, conseguida pela persistência e perseverança, numa longa e difícil luta por acreditarem que se podia ainda fazer justiça, mesmo “imperfeita” aos adultos que tentavam omitir e esquecer o passado pela falta de apoio que sempre tiveram, num espaço centralizado pela predação existente aos vários níveis.

Mexeu na “conspiração mafiosa” à escala mundial, tendo o próprio Vaticano ganhado força para continuar a sua luta, longa e difícil iniciado pelo Papa Bento XVI, no sentido de travar a pedofilia na Igreja.

Um filme terrivelmente verdadeiro.

Classificação 4, filme com alma.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Póstumo - João Lobo Antunes





Faleceu, mas perdurará para sempre na nossa memória.

Foi muito o conhecimento que nos transmitiu, nomeadamente na área de Ética da Medicina, tendo em conta a progressão da mesma, escrevendo vários ensaios, alguns presentes na minha biblioteca que anexo na fotografia do post.

Na sua luta, colaborou numa das conquistas mais louváveis da Nova Medicina que foi o controlo do Erro Médico.

Obrigado.

Para sempre.


Diário de leitura - Livro "Numa Casca de Nós" de McEwan


O mundo “fechado” da obstetrícia, no diz respeito à evolução do feto na vida intrauterina, sendo um mundo maravilhoso, apresenta uma faceta ignorada na ciência, que leva à eventualidade imaginativa do que poderá ser a evolução mental no mundo da intimidade, durante o tempo em que feto reage aos estímulos, que se movimenta, procura posições cómodas, ri ou chora na sua presença amniótica.

Aproveitando o conhecimento da ciência sobre a influência das emoções maternas no desenvolvimento psíquico do feto, McEwan idealiza uma história em que o feto com o seu poder de dedução sobre o mundo que o envolve é o narrador principal, tecendo considerandos e refletindo sobre temas da actualidade, que envolvem a sociedade em geral, analisando o mundo a partir do seu saco amniótico.

É uma leitura suave, agradável, tornando que se torna progressivamente empolgante, com suspense no ultimo terço do livro, o que nos leva a ter dificuldade em largar o livro até o mesmo ser terminado.

Classificação: 4,  Livro com alma.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Meditações - – Um Dia Com Pensamento Escuro



Eu sei que era um fim em si mesmo mas não percebi a intenção: Estava com o pensamento afastado do mundo real; tudo era aparente e aparentado, até a própria cor relva era inventada.

Não me parecia ser verdade o facto das cores serem desconhecidas. Seria um sonho? Mas que sonho? Eu estava aqui, presente, a olhar para uma pedra que aos meus olhos poderia ser negra ou colorida pela irradiação solar. Não sei onde estava nem sei onde estarei neste preciso momento!

Sim, por aí ando, como qualquer português por aí anda; seremos cegos? Talvez Saramago no seu livro “a cegueira” nos tivesse querido chamar a atenção para isso mesmo.

O fim em si mesmo.

Esqueçamos. Não há presente, muito menos haverá futuro!

Tenho dito   


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Opinião A Praia do Norte – A espectacularidade da natureza em área abandonada



Visitei há algum tempo a Praia do Norte, extenso areal a partir do Forte de São Miguel Arcanjo, na Nazaré, que oferece uma paisagem fabulosa com as suas ondas “habilidosas” e poderosas de muitos metros de altura que permitiram a Garret McNamara o recorde da maior onda alguma vez surfada.

No entanto a zona envolvente encontra-se algo desordenada, para não dizer com aspecto de abandono, pecando pela falta de limpeza, onde se encontram bostas de cavalo, fezes de cão ou lixo de outra natureza “abandonado” pelo ser humano, como sendo dejectos da má educação.

Por outro lado, faltam-lhe as infraestruturas que merece como também a vigilância e a informação hoje aspecto crucial de quem gosta de se aventurar por locais desconhecidos.

Estes aspectos em falta minimizam sem dúvida o seu valor que pese isso não deixa de ser incalculável, se bem aproveitado no futuro para o turismo da região.