quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Fernando Pessoa e a Razão do Não Viver a Vida










"Os mortos nascem, não morrem.
 Estão trocados para nós, os mundos. 
 Quando julgamos que vivemos, estamos mortos; 
 Vamos viver quando estamos moribundos."


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Mourinho: O Ser Prepotente


Aquele era um dia diferente dos passados em anos anteriores, mas semelhante no mau feitio, desde os tempos em que Mourinho sentia a irritação fácil aquando do insucesso, nomeadamente na sua célere passagem pelo Real Madrid.

A Médica Eva Carneiro, popular pelas bandas do Chelsea, entrou em campo para assistir um jogador do seu clube, levando Mourinho a “um ataque de nervos”.

“Seja o homem do equipamento, o médico ou o secretário, no banco é preciso entender o jogo”, disse posteriormente Mourinho para apaziguar o absurdo da reacção intempestiva, tal como o vídeo que circula na Internet comprova a atitude reprovável e desnecessária.

Reprovável e desnecessária quando é o clube de futebol que paga o ordenado à equipa médica?

Mourinho em pouco tempo evidencia que necessita de tomar ansiolíticos ou hipnóticos para controlar esses últimos “ataques de nervos”, ou atente-se também na derrota recente da Taça de Inglaterra em desproposito da reacção da medalha de derrotado, quando a fez voar, não sabendo o próprio que face ou olho a mesma poderia atingir; teve sorte, uma criança inteligente, com reflexos conseguiu segurar e apanhá-la no ar.

Tendo o mesmo um familiar directo doente, em dedicação (ou por desconfiança dos profissionais de saúde portugueses) trouxe uma equipa de enfermagem para acompanhar o seu pai dia a dia, hora a hora, o que pese “o extremo estrangeirismo” não deixa de ter o seu próprio mérito, pese embora serem os ingleses a necessitarem dos enfermeiros portugueses, garante da qualidade que estes de certeza evidenciam e por isso são tão solicitados em Inglaterra.

É mesmo este o cerne da questão,

As classes profissionais têm os seus códigos de Ética e também os Deontológicos, que terão de ser cumpridos sob pena de processos de inquérito das Ordens Profissionais e mesmo juridicamente, podendo ser condenados sobre o pretexto de falta de assistência, considerando ser negligência voluntária ou involuntária.

Mourinho ou não sabe tudo ou faz-se de esquecido, desprezando nesse sentido uma das facetas mais salutares da vida: A dignidade pela integridade física e psíquica da pessoa humana, neste caso de um jogador do seu staff, que tendo desprezado, tinha sido sua obrigação ampará-lo, apoiá-lo e dar força à equipa médica que entrou no relvado para o tratar.

Existem na vida coisas mais relevantes e importantes que a vitória: RESPEITAR A DIGNIDADE HUMANA!

Mourinho: É melhor perceber que deve de novo “acordar” para o mundo que a todos rodeia, não olhando a todos os meios, nomeadamente os “impossíveis” para atingir um fim em si mesmo. Deve-se ser compassivo na nossa vida diária; sendo assim não existem barreiras insuperáveis. Para além de não se condenar O BEM, que se dê mérito ao valor da VIRTUDE tal como foi a atitude da médica Eva Carneiro, que acudindo a quem dela necessitava de cuidados médicos, deu uma lição de profissionalismo que a todos deve servir como um exemplo a seguir.


Estamos sempre a tempo!


domingo, 23 de agosto de 2015

Custa Acreditar

Custa acreditar que o mundo possa ser tão injusto! 



Mas é verdade que cada vez mais a violência está bem impregnada no espírito do ser humano; vejam-se os números de visualização dos diversos vídeos cuja violência incomoda o mais sóbrio cidadão do planeta (isto se o mesmo existir entre os biliões, dúvida que prevalecerá até aos fim dos dias de vida de qualquer um de nós).

A propósito da chacina das baleias, ou do cão enrolado num manto perto de um contentor de lixo à espera da trituradora e do desaparecimento de algo, “essa coisa”, que se tivesse sido esse o desfecho, nunca teria existido.

Mas claro

Começa a não haver dúvida que o ser humano consegue pulverizar-se a si próprio, aspergindo de um planeta que de real passa a ser uma espécie de filme virtual. Vejam-se os afogamentos de emigrantes que passam a ser corpo inerte, excepto para os tubarões, dando razão a Descartes quando considerou ser a dualidade a capacidade do nosso conhecimento.

A facilidade com que se decapita, tentando a instrumentalização do mundo na capa de uma religião que nada disso apregoa.

As violações em série de inocentes, a coberto de envelopes ou encomendas cheios de milhões de dólares que sobrariam em boas mãos para modificar muita da infelicidade que crassa por este mundo ignóbil.


Viver a vida deveria ter significado mas o significado artificial deixa a dúvida do que significa ser ou saber viver!


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Eram os nossos sonhos da infancia

Muitos eram os sonhos da nossa infância...


Ela fazia parte do esquecimento da nossa exasperação, após "o sacrifício" das aulas dadas nas antigas escolas primárias (hoje vendidas a preço de saldo), principalmente quando as nossas mãos estavam mais rígidas e avermelhadas, resultado das "reguadas", modulado aos melhores princípios salazaristas que exigiam o silencio como principio absoluto, mas que como jovens irrequietos decidíamos diariamente não cumprir.

Assim era a nossa vivência numa sociedade anómala intrincada e enredada no seu totalitarismo. Éramos bonecos de trapos desenraizados do tempo, mas que por isso mesmo procurávamos com a frequência possível, dependendo dos tostões que as nossas calças de ganga rotas permitiam ter nos bolsos, furar a cartela da máquina de Regina, esperando a saída de uma bola colorida que nos apontava o sabor de um determinado chocolate que para nós nem sempre era o melhor, pois os melhores prémios ficavam lá (dezenas de anos após continua a sociedade a considerar que nada é o melhor que se consegue!).

Muitos furos se faziam; trazíamos em chocolate o peso que se perdia em moedas, mas era essa a nossa felicidade,

A "caixa de furos" fazia parte da nossa vida, do nosso sucesso ou insucesso para um futuro que não sabíamos na altura que já éramos principiantes de um mundo desconhecido, desconexo, ambíguo e exigente no âmbito amoral.

A Regina existiu e existe.

Tirei esta foto na montra de uma loja em Amarante. 


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Aquela Paisagem Deslumbrante



Aquele dia, enevoado e turvo, que pouco nos deixava ver no horizonte que prevíamos profundo. Pela estrada o cuidado era intenso, os olhos vibravam de dor e cansaço, com receio de que uma roda fizesse o que nada nos agradaria num sitio rodeado do nada.

Assim fomos mareando, tentando que o equilíbrio nos levasse a bom porto, o porto da harmonia, mas que teimava em chegar.

Finalmente uma ponta de esplendor se aquilo que víamos seria mesmo claridade provinda do sol. Continuámos, a nossa cegueira foi-se dissipando e eis que uma paisagem digna do além se nos deparou.

A natureza quando observada com olhos sãos de ver, observar, analisar e reparar nos ínfimos pormenores deixa-nos extasiados, a pensar que o mundo onde ainda vivemos tem uma beleza impar, que apenas sufoca a nossa ânsia de ver o que não acreditávamos ser possível contemplar, de ouvir os sons que pensávamos ser parcos.

Basta saber olhar!



sábado, 26 de abril de 2014

A Troika E o Nosso Descontentamento

Os consultores da Troika em obediência aos princípios da Comissão Europeia Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, têm vindo desde há três anos, de visita periódica ao nosso país, com popa e circunstância, tal como os meios televisivos e a restante comunicação social têm divulgado (resenha de abertura dos jornais televisivos ou das capas de jornais). Pese o facto do fruto do seu trabalho estarem as pessoas cada vez mais tensas, consequência da desvalorização do euro “português”, menos instruídas por efeito do desaparecimento gradual da cultura, mais preocupadas com tudo e com nada, não deixa essa preocupação de ser lógica pela inquietude e pela apreensão que nos trás a incerteza de um futuro desconhecido.

No entanto o nosso país continua a ter um povo que sendo extraordinário na sua maneira de receber o estrangeiro, mesmo que se perceba que vem com a intenção de nos empobrecer ainda mais para além de já sermos dos últimos da tabela na Europa em quase tudo, continuamos no entanto a ser ricos em passividade e a enriquecermos a nossa imaginação; somos soberanos na adaptação às circunstâncias difíceis, sempre com a evidência de um novo sorriso, o sorriso da compaixão, porque somos bondosos e clementes, razão da adaptação e acomodação à realidade que estamos a suportar, como se a tolerância em Portugal fosse um dos mandamentos mais importantes que algum Deus, não sei qual, nos quis infligir.

Senão vejamos,

Portugal é sem dúvida um belo e bonito país, com uma beleza inata, digam os variados roteiros existentes de norte a sul, em que tanta coisa agradável e apetecível há para observar, ver, provar e saborear. Fizeram-se auto-estradas a preço de “apito dourado”, numa época em que o auge era apanágio da palavra política e atributo do facilitismo implementado na mente de todos nós. Essas mesmas auto-estradas, muitas delas inúteis e vazias da sua verdadeira função, por serem desmesuradas em distância embora comedidas de betão para poupança nos bolsos milionários, deixaram de ter o significado que lhes foi atribuído. Vejam-se o número significativo de automóveis que passaram a aproveitar as estradas secundárias, esburacadas, de bermas desarranjadas, e cheias de ervas daninhas, que embora com beleza na primavera escamoteiam espaços que pelo seu perigo possam levar a maior facilidade de acidentes, que as estatísticas em Portugal se habituaram a desdizer, como tudo neste país é fácil ser desdito.

Os carros avariados por essas estradas fora já não se viam; as marcas de maior renome, tal como os de potência avantajada, deixaram de ser tão visíveis, embora por aí vão passando alguns Ferrari ou Porches em mãos de maus condutores que nas poças de chuva se esquecem que os limites das estradas são iguais para todos os que conduzem, pelo que alguns acabam por ficar com chapa incaracterística para este tipo de carros tão avantajados.

Culpamos os consultores, mas estes fizeram o seu trabalho,

As províncias portuguesas têm coisas lindas; não é necessário ir para o Gerês para se identificarem bonitas paisagens com paradisíacas quedas de água ou moinhos que os antigos construíram sabe-se lá em que condição por essas ribeiras fora; houve autarcas mais prodigiosos de esperteza que aproveitaram os fundos comunitários para construírem invenções que nem ao diabo lembraria, ou reconstruírem algo a preços de saldo, de maneira que actualmente muitas dessas construções são antigos oásis envolvidos por matagais que dificultam o acesso ao cidadão comum o impedem de saborear aquilo que também foi pago ou continua ser pago com o dinheiro dos seus impostos; qual desventura se essas invenções foram moeda de troca por meia dúzia de votos para o sucesso de mais uma reeleição?

Ir ao Algarve deixou de ser uma necessidade já que praias fluviais nasceram em tudo o que tem água; se muitas se justificam, nomeadamente no interior, outras que não deviam ter sido construídas, vieram demonstrar que os consultores têm razão quando focam a apetência, a propensão e o exagero do português para aproveitar tudo o que mexe, neste caso o vento a bater na água, dando a imaginar que a mesma flutua ou que o espelho idealizado do seu fundo que nos ilumina a nossa própria consciência do tudo querer, mas num país que não tem dinheiro, nem sequer para manter o respeito daqueles que sendo idosos e reformados, mereciam muito mais que o nosso respeito, apreço e consideração.

As bicicletas passaram de novo a ser um veículo fantasioso de transporte das horas vagas, melhor que o automóvel, possibilitando o conhecimento mais profundo de locais inéditos e inatingíveis doutra forma, na região em que vivemos; podemos sonhar encontrarmo-nos em Mirandela a provar um óptima posta de carne que não interessa ser mirandesa, mas é da nossa zona, que por isso não deixa vir de pastagens que facultam uma carne de vitela e novilho de raça (ou não) de boa ou má qualidade, pelo que teremos sempre as cotas necessárias para que a carne continue na ementa do dia-a-dia que todos prezamos.

E as herdades por aí espalhadas muitas sendo novos latifundiários, como se o 25 de Abril não tivesse existido, outras passaram a ser propriedade de estrangeiros, sinal evidente que cada vez menos pertencemos a uma terra lusitana e nacionalista e cada vez mais a um emaranhado de culturas, pelo que qualquer dia andaremos a tentar perceber qual o nosso lugar nesta sociedade que de Camões cada vez fica mais e apenas o seu nome.

Estamos mais pobres embora não de coração,

O ordenado mínimo atinge valores de antes do 25 de Abril de 1974, os ordenados médios atingem os valores de 1999, o nosso sorriso vai-se tornando esforçado e descolorido, os consultores sabem isso, mas também sabem que muitos subsídios foram dados ao nosso país, para a formação das pessoas, para o progresso da educação, para a organização e desenvolvimento da investigação científica, para a modernização da agricultura, das pescas, da indústria, do comércio, do turismo rural, das barragens, do vinho, do leite… Mas esse dinheiro também que foi aproveitado, não para a expansão da economia global do nosso país, mas para proveito próprio de algumas pessoas, que preferiram construir habitações familiares, nomeadamente segunda e terceira habitação em praias a pensarem no escurecimento e bronzeamento da pele ou em serras para poderem admirar o branco da neve, luxos em grandes viagens para conhecerem esse mundo “nunca dantes descoberto”, aquisição de carros de topo que as nossas estradas esburacadas apenas permitem evidenciar a sua beleza, excesso de construção de auto-estradas sem carros, pontes de qualidade duvidosa, aeroportos sem aviões para aterrar, dinheiro depositado em paraísos fiscais…e por aí fora…

Mas os Consultores também falharam,

Sabem melhor que ninguém que a nossa justiça não funciona; grupos organizados impedem cada vez mais o seu funcionamento, quer pelo tráfico de influências que movimentam, quer pela instrumentalização da sociedade, mais que óbvia, no sentido de se manter a corrupção, para proveito dos mesmos, nem que para isso continue a “prodigiosa” deterioração da sociedade portuguesa.

Nestes três anos que periodicamente nos têm visitado, em vez de se terem deixado deliciar com a nossa paisagem, o nosso sol e a nossa comida deviam ter tido os olhos mais abertos, porque muitas negociatas financeiras podiam ter sido evitadas, impedido a traficância efectuada na bolsa da Lisboa, que permitiram que alguns bancos se tivessem enchido de dinheiro, as fraudes nos concursos públicos, o adiamento dos prazos de finalização de obras, os túneis desnecessários, o número de intermediários para aprovação de projectos dúbios e ambíguos…

Aí sim estou à vontade para vos dizer que falharam

Não fizeram bem o trabalho de casa, puseram-se a dormir à sombra de uma bananeira da nossa Madeira ou de um ananaseiro de uma das ilhas dos Açores. Esqueceram-se que sempre existem astutos habilidosos, engenhosos, os chamados popularmente de aldrabões. Esqueceram-se de mandar fiscalizar os subsídios, controlar os gastos, verificar as contas e inspeccionar a execução do produto final, perceber acima de tudo como funciona a economia paralela no nosso país.

Existimos nós, mas também existem os nossos filhos, que têm a perspectiva de futuro além-fronteiras com a visão da emigração,

Olhem então para o nosso país doutra forma, para este povo que na sua maioria para além de pacato é ordeiro, pacífico e sociável, é optimista e acredita em si mesmo e nas suas potencialidades, desde que a Europa nos dê paz, concórdia e que passe definitivamente a acreditar e a admitir que afinal o cenário embora seja negro, o povo português é trabalhador e sabe inovar nos momentos difíceis. Facultem-nos essa oportunidade porque a queremos segurar, e desejamos mostrar o que na realidade valemos (desde o período ancestral) porque os portugueses têm talento, são empreendedores, desfrutam de ideias, que vão ser aproveitadas de certeza para mudar a Europa para melhor!


Mas já é tempo de perceberam que a crise é de todos e não só de alguns!