domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os Meus Rascunhos - Transplante de Orgãos: Crimes Contra a Humanidade na China


Fiquei surpreendido com uma reportagem recentemente apresentada num canal televisivo sobre a violência dos transplantes de órgãos advindos estes dos praticantes de Falun Gong, encarcerados não por quererem o mal da sociedade mas porque desenvolvem fortes valores morais na China, inaceitáveis pelos tiranos que governam esse país.

Falun Gong é uma prática que cultiva a mente e o corpo, cujos valores morais se assimilam à natureza do universo através da aplicação da verdade, da benevolência e da tolerância, fortalecendo desse modo a saúde mental e física das pessoas.

O governo da China, inexplicavelmente desde 1999 que persegue estes praticantes com reeducação, prisão, trabalho forçado, tortura física e pena de morte.

É uma preocupação crescente em toda a comunidade internacional estes praticantes serem executados no sentido de fornecerem órgãos para receptores de transplante, sob o olhar complacente de organizações como as Nações Unidas e outras que se limitam a pedir explicações sobre a sua origem, quando existem provas convincentes que este negócio passa também além fronteiras beneficiando muita gente que sem escrúpulos vai à China para ser transplantado, inclusive do coração (mata-se um ser humano de imediato para fornecer este órgão a outro).

São ganhos financeiros exorbitantes, sendo uma industria que movimenta um bilião de dólares por ano desta abusiva criminalidade, que infelizmente os governantes de todo o mundo mantém uma atitude complacente, de silêncio ignóbil, permitindo a perpetuação deste tipo de abuso e tortura.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Diário de leitura - Livro "Bússola" de Mathias Enard


Iniciei a leitura deste romance com cuidado redobrado já que tinha a ideia que iria adquirir conhecimentos sobre assuntos pouco comentados no mundo literário; para além disso Mathias Enard utiliza uma linguagem acompanhada de musicologia, estilo a que não estamos habituados, ainda para mais sendo muito dela oriunda dos países árabes.

É uma lição de conhecimento e deslumbramento sobre o mundo orientalista, numa sucessão de aventuras oriundas de artistas, académicos e aventureiros, ousadas e arriscadas em países orientalistas bem conhecidos de nós, nomeadamente pelas piores razões.

O rosto da revolução. Na página 327: “os jovens iranianos que tinham vivido entre o Xá e a Republica Islâmica, esta classe média que tinha gritado, escrito, lutado, acabaram todos enforcados, mortos ou obrigados ao exílio…” se dúvidas houvesse!!!

Também um romance de amor impossível naquele mundo sem tréguas, em que tudo se explora e muito se perde, ou se ganha.

Um livro esplêndido.


Classificação 5/5, livro conversador, obrigatório.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Meditações - Socorrer e Sofrer

Resultado de imagem para socorrer e sofrer

Aquela noite de lua cheia, a do desenlace fatal, ficou irremediavelmente fixa na retina, pese o passar dos anos e a experiência de uma vivência de acontecimentos violentos que nos levam a adaptar e conformar nas situações violentas e hostis por mais incómodas que sejam.

Todo o profissional mantém a frieza e a lucidez necessárias para que qualquer situação de socorrismo corra o melhor possível, o que normalmente acontece.

Mas o que observámos era cruel, ninguém merece aquilo!

O carro lateralizado, a flutuar, como se de um barco se tratasse a navegar em alto mar. Pessoas dentro do mesmo, em ambiente “estranho” como movimentos involuntários como se estivessem a nadar, pese o pouco espaço existente; a intervenção rápida das equipas de socorro e desde logo a perceção do desmoronar futuro de algumas das cadeias familiares, pelo sofrimento e pela saudade futura dos seus entes.

Era a juventude no seu primeiro quarto que a vida lhes poderia dar

Socorrer é também sofrer!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Diário de leitura - Livro "Não se pode morar nos olhos de um gato" de Ana Margarida de Carvalho



Fabuloso e prodigioso este livro, que desde logo apresenta um titulo fascinante e chamativo.  Desde o primeiro parágrafo somos envolvidos na leitura com se da própria história também nós fizéssemos parte.

Impõe-nos um certo ritmo de leitura através de uma escrita densa, espessa, complexa e profunda que nos obriga a uma atenção redobrada e que maquinalmente somos impelidos a mantermos fixamente a atenção na história, tal é o interesse que se instalou na nossa mente, a pensar na surpresa sobre o desenvolvimento das páginas seguintes.

Uma história de sofrimento na ação de várias e distintas personagens, que por motivos díspares cruzaram a história de Portugal em conexão com o Brasil e países de África. O leitor quando dá por si integra também a emoção do náufrago, nunca abandonado pela “Santa”, como que sendo aprisionado no fascínio desta escrita estilística muito pessoal da escritora, mas que tento subentender estar próxima tanto de José Saramago como de Rentes de Carvalho.

Sem dúvida um dos melhores livros de 2016.

Classificação 5/5, livro conversador, obrigatório.

domingo, 13 de novembro de 2016

Diário de leitura - Livro "História de um Canalha" de Julia Navarro


Livro apropriado para leitura de férias, como foi o meu caso, onde é abordado o tema sobre a manipulação física e psíquica da mente da mulher, transportadas para o mundo dos tormentos, através da crueldade de um homem, que não olha a meios para atingir o seu fim, nem que daí provenha a morte das mesmas.

Thomas, sendo um solitário, sem sentimentos, com vontade de praticar o mal desde que com isso consiga objectivar a sua pretensão, é um grande manipulador mesmo que para isso tenha de atingir a crueldade extrema.

Consegue mesmo após a sua morte manter a sua presença destruidora, condicionando a vida dos envolventes da sua vida anterior.

Sendo um livro de leitura fácil, não é uma grande obra literária, mas explora um tema interessante, a maldade, tema atual, focando-a com uma profundidade extrema, através de uma narrativa cativante, sedutora, que prende o leitor à sua leitura pelo tema aliciante e atractivo. 

Classificação 3/5, livro cordial.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Os Meus Rascunhos - Couço Revisitado


Revisitei o Couço, local onde nasci, cerca de 45 anos após ter saído da mesma, ao ter de acompanhar os meus pais noutros voos que os mesmos tinham em vista.

A emoção esperada no passeio de "reconhecimento", redescobrindo aquilo que me parecia ainda ter na minha memória de infância, imagens límpidas e transparentes de uma realidade já passada, mas tão atualizada que parece que foi ontem que deixei esta tão histórica aldeia.

Um almoço bem preenchido no restaurante os maias com torresmos divinais e pezinhos de coentrada tão saborosos, regado de bom vinho a pressão, foi o condimento para continuar a sublinhar o enternecimento e o sentimento que continuará na minha alma e no meu físico até à sua plena finitude.


Um dos locais onde vivi anos, na casa ao lado da igreja, bem visível na memória, com histórias passadas que o meu subconsciente não esquece, nem esquecerá, porque com tanta lucidez me vieram à memória e transbordaram o inesperado.


O rio Sorraia, a pesca de barco, o Sr. Alfredo a ensinar-me a fazer barcos de cortiça, a sua padaria, as aventuras com os amigos, a escola primária, os avós, os tios, os primos, os amigos, as viagens de carroça do monte da Boavista ou da Corlinha, a vida da minha infância!


Não esquecerei, nunca, o local onde nasci e que revisitei tantos anos depois´e que pretendo regressar.


sábado, 5 de novembro de 2016

Diário de leitura - Livro "Zero K" de Don Delillo

O novo romance de Don Delillo, tenta relacionar a morte, na sua imortalidade tentada, com o aspeto material, tendo como narrador principal o filho de um sexagenário bilionário que investiu num secreto laboratório de investigação sobre vitrificação, criopreservação e nanotecnologia, lugar sinistro e vigiado, onde se preservam os corpos até um futuro indefinido que possa haver o conhecimento necessário para regressarem à nova vida. 

No fundo considera a força do dinheiro no sentido de evitar a morte, adiantando-se à mesma e eternizando a sua individualidade póstuma, reduzindo a sua identidade à imagem de um corpo que não se decompõe.

O narrador intercala a vida espiritual do pai com o envolvimento real do mundo que os envolve.

Livro tocante, bem escrito, com uma prosa irreparável, mas cuja “complexidade” no leva a ter de ler o livro com a calma necessária para podermos acompanhar as sucessivas perplexidades envolventes.


Classificação 4/5, livro com alma