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domingo, 26 de março de 2017

Diário de leitura - Livro "Para onde vão os guarda-chuvas"" de Afonso Cruz


É o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Surpreende-me pela forma simplicista como escreve sobre tanta coisa, levando-nos a uma reflexão permanente sobre a sociedade e as pessoas que nela são integradas, tentando evidenciar que pese as diferenças sociais, religiosas e politicas, num contexto de questões delicadas entre os muçulmanos, hindus e cristãos, pode haver ainda tolerância, paz e amor, num mundo onde a intercolaboração pacifica é cada vez mais difícil.

Estamos perante o oriente efabulado com o que tem de mágico, como de perverso, numa história que se vai desencadeando, como se tudo se pudesse jogar metaforicamente através das peças de um tabuleiro de xadrez, peças transformadas em personagens, entrecruzadas ao longo da história, desde a procura do amor aos acessos de violência, às várias tragédias pessoais que vão ditando e impondo o essencial ao longo das 620 páginas do livro.

Toca em questões tão delicadas como sejam os maus tratos em crianças ou prostitutas, a exploração infantil, a violência sobre a mulher, os interesses políticos, o terrorismo ou a intolerância religiosa.  

É uma escrita simples, melodiosa, sem artifícios desnecessários que fala sobre tanta coisa bonita, que dá vontade de pegar no livro várias vezes para reter tantas bonitas passagens que o mesmo nos transmite. 

Tem um final duro e inesperado.

Classificação 5/5 conversador, obrigatório.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal


A NOSSA MENSAGEM DE NATAL DE 2015


Foto João Gabriel em Festas de Campo Maior 2015


Um Feliz e Santo Natal para todos vós, com Alegria, Felicidade, Amor, Paz e grande Harmonia

São os desejos da Minha Família para Todos Vós

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Deus, a Religião e os Telemóveis

Num recente passeio por caminhos inusuais na Beira Baixa, numa exígua vila, ao visitar uma pequena Igreja, não me recordo de que religião, deparei-me com a existência num placard de uma chamada de atenção conforme o que estava escrito: “Deus fala contigo mas nunca de telemóvel”.

Fiquei assoberbado de pensamentos, por tentar compreender como é que Deus falava comigo e nessa ordem de ideias se não poderia também ser através de telemóvel.

Poderá ter sido colocado com convicção e a certeza de moral e/ou justiça;  

Durante a realização da missa, normalmente aos domingos, dia mais relaxante por ser de repouso, acontece na Igreja com alguma frequência o telemóvel tocar com sons que podem ser mais agudos ou mais graves, de melodias ou não, mas que tacteiam o nosso cérebro, de uma forma ou de outra.

Esses sons ou tons entretém os mais distraídos, porque à missa vão os mais sérios e à Eucaristia os mais austeros; os primeiros vão porque têm de ir, quebrando desse modo a melancolia e o aborrecimento, ficando mais despertos para ouvirem e escutarem o sermão, que de sermão nada tem senão invocar a nossa consciência para aquilo que é o ónus moral do pensamento religioso.

Será que Deus fala por telemóvel?

Da dúvida e incerteza não consigo esclarecer; é certo que nessa altura, quando o telemóvel, toca fica toda a gente a olhar; da estupefacção inicial dos ouvintes, rapidamente se passa ao incremento da auto-estima de quem recebeu a chamada; claro que se a intensidade do som for o adaptado às circunstâncias, a comunidade presente não vai pensar estar num concerto de rock ou de bailarinos ou de um rancho folclórico, mas sim num local em que o culto valoriza qualquer eventual apreciação sobre outro tipo de local que não seja aquele que as pessoas recorreram por razões que lhes dizem e só a elas respeito.

Mas o telemóvel que toca é o dos "Jovens" ou é o dos "Velhos"…

Quando existe a afirmação de que os "Jovens" não procuram a Igreja, o telemóvel pode funcionar de marketing já que os mesmos nascendo e vivendo com o software, os tons, ou os jogos nesse mundo minúsculo, que não sonharíamos ser possível há poucos anos, é uma maneira recreada de sentirem e nutrirem o respeito por um espaço de consideração e respeito de quem acredita dos valores e valias que a meditação pode ter sobre o nosso ser em si mesmo.

Ou dos mais "Velhos", que pela sua imperícia de saber lidar com esta tecnologia, deixam tocar indefinidamente o telemóvel, porque não se apercebem de que é o deles, mas quando se apercebem, começam numa correria e aceleramento até à entrada da igreja para que possam atender o mesmo; tem as suas vantagens e será Deus que assim o entende: O exercício físico tem a ver com a vida e significa que Deus está atento aos problemas de cada um; também acorda os mais adormecidos, que deixam de roncar, ou de esbracejar ou de gesticular “perigosamente” quando despertados subitamente. Sabemos ainda que nas Igrejas não existem assaltos, mas nos tempos que correm, desconfiar que isso possa acontecer, a sua utilização também na Igreja deve fazer sentido.

Então e se a Igreja decidir proibir o telemóvel, será que Deus não poderá decidir um dia, pela sua particularidade própria, evangélica e omnipotência, deixar de estar presente na missa, ponderando outros meios para nos continuar a acompanhar no nosso dia a dia?