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sexta-feira, 24 de março de 2017

Meditações - O Equivoco e a Mente


Aquele era o dia que eu previa, pelos sonhos nocturnos, que me iria ressentir de algo que não sabia o quê. Talvez dia aziago, diferente do habitual, pensamentos decadentes, as lágrimas eram nulas e vãs, mas a vontade era preenchida por aquilo que eu considerava como enferma, para algo que a minha mente antecipou, mas cujo propósito final continuava a ser um desígnio ainda obscuro e apagado, não o conseguia aclarar.

O mundo é uno, as surpresas das atitudes são por vezes um pasmo se não assombros da própria natureza humana, porque se vivemos num mundo real em que tudo o que nos rodeia é autentico, então o que nos poderá acalentar e tranquilizar por aquilo que sabemos sentir, mas não conseguimos fazer a leitura correcta porque a língua é indivisível e muitas vezes indissolúvel.

O mundo engana-nos, mas nós também nos enganamos, ou porque estamos distraídos e não esperamos, ou porque não sabemos que a vida é futura e não passada. A vida não é una, desorienta-nos, faz-nos esquecer, somos ser andantes, por aí andamos, como que esquecidos, engalanamos e adornamos aquilo que nos parece real, mas se calhar é mentira, mentimo-nos a nós próprios.

As perguntas são desfechos que nos entrelaçam, muitas vezes, por inesperadas e injustas nos mantém mudos e credos, os anos passam, o ambiente envolvente bole o cérebro à sua própria maneira de pensar ou de “dar jeito”, sim, é tempo de acreditar naquilo que não nos afiança a pureza das palavras, sejam vãs, vazias ou mesmo ocas. É esse o potencial de acção que as conexões sinápticas querem permitir aos axónios para que a sua desenvoltura as possa sentir, aceitar, desenvolver, ampliar e “espigar”.

O erro é um equivoco, por isso mesmo nos confunde como se uma realidade fosse…, Mas não é! 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Meditações - Pobreza



Resultado de imagem para pobreza encapotada

Fui surpreendido, há alguns dias, na minha casa, por alguém que tocou a campainha; através do intercomunicador verifiquei ser um jovem de bom aspecto exterior, bem vestido, educado na sua linguagem, com voz meiga, simples, suave, pedindo desde logo desculpa pelo incómodo, como que a desculpabilizar-se pelo seu ato posterior, que foi pedir dinheiro ou pelo menos alguma comida.

Numa sociedade que se diz livre, mas que todos os dias vimos as noticias na comunicação social sobre corrupção, de desvios de milhões de euros que sendo julgados nunca serão recuperados, não nos poderemos admirar que na sociedade continue a haver pessoas que por mais que tentem lutar contra o desvario, não consigam ter a oportunidade de se integrarem numa sociedade em que a oportunidade profissional é completamente dissonante e injusta.





sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Meditações - Socorrer e Sofrer

Resultado de imagem para socorrer e sofrer

Aquela noite de lua cheia, a do desenlace fatal, ficou irremediavelmente fixa na retina, pese o passar dos anos e a experiência de uma vivência de acontecimentos violentos que nos levam a adaptar e conformar nas situações violentas e hostis por mais incómodas que sejam.

Todo o profissional mantém a frieza e a lucidez necessárias para que qualquer situação de socorrismo corra o melhor possível, o que normalmente acontece.

Mas o que observámos era cruel, ninguém merece aquilo!

O carro lateralizado, a flutuar, como se de um barco se tratasse a navegar em alto mar. Pessoas dentro do mesmo, em ambiente “estranho” como movimentos involuntários como se estivessem a nadar, pese o pouco espaço existente; a intervenção rápida das equipas de socorro e desde logo a perceção do desmoronar futuro de algumas das cadeias familiares, pelo sofrimento e pela saudade futura dos seus entes.

Era a juventude no seu primeiro quarto que a vida lhes poderia dar

Socorrer é também sofrer!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Os Meus Rascunhos - Os Curandeiros de Automóveis


Estacionámos o carro em segunda fila, ficando eu no lugar de pendura a guardar o mesmo, nomeadamente pela possibilidade de ter de justificar algo a uma eventual equipa policial que na altura aparecesse a pedir justificações da formal ilegalidade.

Era uma situação de urgência e por isso assim decidimos;

À minha frente, apercebo-me de um carro de matricula portuguesa, de coloração antiga esbranquiçada, significando ser um carro ainda anterior a este século. Observando com mais evidência, verifico a existência de uma garagem, transformada em oficina, dimensionalmente pequena, mas funcionando para alinhos e arranjos de problemas menores de avarias dos automóveis.

E fiquei concentrado, à espera do que iria acontecer;

Um problema nas escovas dos limpa para-brisas; observei o que se iria passar, e apercebi-me do mau funcionamento das mesmas; aparece uma pessoa do seu interior: Dono? Empregado? O mesmo tenta percepcionar se o problema será um dano ou o desgaste da mesma e até que ponto a força da crise associado à necessidade das pessoas pouparem dinheiro o faria seguir na decisão de arranjar ou trocar, ou inventar, protótipo da inovação dos portugueses que posteriormente acabam por desinvestir, vendendo o que há de bom ao estrangeiro, vejam-se tantos exemplos por aí disseminados…

Continuei atento;

Um verão, o outono primaveril e de repente a chuva; o estado da borracha das escovas dos limpa para-brisas, ainda por cima subsequente à exposição após um fervoroso verão.

A facilidade de tirar os mesmos com se de um puzzle se tratasse sem máquinas electrónicas de ultima geração, a que ficámos habituados a verificar nas oficinas correspondentes às marcas de automóveis.

O meu tempo de ilegal estacionamento estava a esgotar-se, porque sabemos a nossa paciência ou impaciência de olharmos para todos os lados numa situação que é ilegítima, de estacionamento por mais legal que consideremos poder estar…

Se o problema seria o da elasticidade da borracha, ou da perda da propriedade da borracha ou da necessidade ou não de mudar as mesmas, só esse “Curandeiro de Automóveis” poderá dar a sua última palavra, que como benzedeiro tentamos acreditar.

Ou seja, na sua diversidade espiritual,


Piscando de lado o olho ao conhecimento científico, que mais de electrónico
 tenha, pode nada valer, pelo seu dimensionamento, pese a não instrução, quando comparado com o conhecimento e sapiência “indígena” de quem consegue resolver pequenos “grandes” problemas, na gíria popular dar fé, mesmo que à posteriori a festa saia demasiado cara!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Eram os nossos sonhos da infancia

Muitos eram os sonhos da nossa infância...


Ela fazia parte do esquecimento da nossa exasperação, após "o sacrifício" das aulas dadas nas antigas escolas primárias (hoje vendidas a preço de saldo), principalmente quando as nossas mãos estavam mais rígidas e avermelhadas, resultado das "reguadas", modulado aos melhores princípios salazaristas que exigiam o silencio como principio absoluto, mas que como jovens irrequietos decidíamos diariamente não cumprir.

Assim era a nossa vivência numa sociedade anómala intrincada e enredada no seu totalitarismo. Éramos bonecos de trapos desenraizados do tempo, mas que por isso mesmo procurávamos com a frequência possível, dependendo dos tostões que as nossas calças de ganga rotas permitiam ter nos bolsos, furar a cartela da máquina de Regina, esperando a saída de uma bola colorida que nos apontava o sabor de um determinado chocolate que para nós nem sempre era o melhor, pois os melhores prémios ficavam lá (dezenas de anos após continua a sociedade a considerar que nada é o melhor que se consegue!).

Muitos furos se faziam; trazíamos em chocolate o peso que se perdia em moedas, mas era essa a nossa felicidade,

A "caixa de furos" fazia parte da nossa vida, do nosso sucesso ou insucesso para um futuro que não sabíamos na altura que já éramos principiantes de um mundo desconhecido, desconexo, ambíguo e exigente no âmbito amoral.

A Regina existiu e existe.

Tirei esta foto na montra de uma loja em Amarante. 


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Absolvição

Eram muitas as dores que sentia, incomodativas, que me limitavam a locomoção e impossibilitava alguns movimentos que fazem parte da nossa normalidade e que inconscientemente repetimos centenas ou milhares de vezes durante a actividade diária.

Decidi por recorrer ao médico de família, como todos deveremos fazer quando algum dilema de saúde surge. Estava frágil e incapacitado pela dor e pela dificuldade de me mobilizar e impotente pela debilidade psíquica que a mesma provoca.

Depois de uma história clínica cuidadosa, fui observado, medicado e foram-me pedidos alguns exames entre os quais um Tomografia Axial Computadorizada.

Lá fomos, porque não conseguia conduzir, pela estrada que não parecia ter fim, sinuosa ou tortuosa, estreita, mas único refugo para evitar os custos que se vão adicionando por cada pórtico nas auto-estradas que todos continuaremos a pagar indefinidamente.

Finalmente a capital, que tudo de bom parece ter, mas que da confusão de trânsito não se consegue livrar, mas enfim, não foi esse o objectivo que me direccionou, pelo que com alguma dificuldade lá cheguei ao local pretendido.

Entrei num aparelho com a forma circular que mais parecia um donut, onde me deitei numa maca e aí deslizei provavelmente para a zona onde me iriam ser emitidas as radiações, que alguma coisa poderia descobrir neste corpo até ao momento são e sadio.

Ouvi uma voz de timbre metálico, que de algum lado parecia conhecer, mas rapidamente me lembrei do meu GPS; ia orientando os movimentos respiratórios, assimilando os conselhos, mas o tempo passava com dificuldade, de maneira que minutos pareciam horas, talvez por reflectir que alguma coisa menos boa se estaria a passar, porque a noção é que quando tudo corre bem, nada é tão demorado e tudo se torna mais fácil de ser assimilado.

O círculo volta-se a abrir, a maca torna a deslizar, mas quando pensava ter terminado o exame, sou confrontado por um enfermeiro que delicadamente pede para poder perfundir um produto, contraste, necessário para aclarar algumas dúvidas existentes, mas não me transmitiu quais.

A desesperança,

O rebuliço interior, o quase enlouquecimento, o reflectir sobre tudo e sobre nada, desde o início que somos vida ou da vida fazemos parte, até quando e como ela terminará já que alguma coisa de grave existirá, pois um contraste após tanto tempo para observação destes meus órgãos deixam de ser um meio, mas passam a ser um fim, que brevemente me irá ser transmitido.

A nossa existência passada, nos momentos de aflição, parece-nos curta, errante nos actos passados, ausente das coisas boas que teremos vivido, tanta coisa de diferente que deveríamos ter feito, o tempo que viveremos, sem tempo, porque o mesmo se diluirá nas idas e desavindas para o meio hospitalar para as sessões de quimioterapia ou de radioterapia, ou sabe-se lá mais o quê, deixar-me-ão desde já “morto” para o tempo que irei durar.

Terminou o exame; durou uma hora e meia, suficiente para perceber o que desde já não estará disseminado por um corpo metafórico como sejam as peças de um relógio, que passou a ser disfuncional.

Finalmente o resultado do julgamento do colectivo dos juízes que perante as provas evidentes decidiram:

Estou absolvido, não sei no entanto até quando…


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Colapso da Amizade


Naquela noite invernal, friorenta, escura, com a lua vedada por nuvens cerradas que ameaçavam chuviscos, fomos informados que nos deveríamos dirigir rapidamente para uma aldeia, ainda longínqua do local da partida, o que de imediato cumprimos.

Arrancámos em alta velocidade, através de estradas de mau piso, esburacada, com alcatrão facilitando o movimento oscilante que bem se sentia nos assentos, baloiçante pela velocidade elevada, curvas sinuosas pelo caminho fora, até que chegámos ao local que nos havia sido indicado.

Deparámos com um mundo semelhante a determinados filmes que nos dão imagens artificializadas de cenas estudadas e mecanizadas: Num “mundo” escuro, abrilhantado por um holofote que acompanha a nossa carga, verificámos a presença relativamente perto de um ser humano, sentado num carrinho de mão, em pânico, com um semblante de dor e sofrimento, ensanguentado nas mãos, na roupa e de mais perto verificámos que se encontrava mais “colorido” por ter coloração mais expressiva num dos membros inferiores.  

Junto da porta da moradia da quinta, alguém decidiu quebrar o gelo, não só da temperatura nocturna, como também do filme em cena, afirmando, que ouviu um barulho, pensando ser um javali, pelo que decidiu ir buscar a espingarda, resolvendo disparar para o local de onde os ruídos zumbiam para os ouvidos.

Mas mais afirmava: “É meu amigo, ainda hoje durante a tarde estivemos a jogar às cartas; bem me podias ter pedido as laranjas, em vez de mas vires roubar, que eu preferia dar-tas todas”.

Foi uma história que por ser real não a esqueci, pelos seus valores morais, nomeadamente pelo sentido ou significado de se ser amigo e por isso mesmo poder haver a liberdade, como neste caso, de se poder dar um tiro “cúmplice” àquele que pese a dedicação de andar a apanhar laranjas é atingido por uma bala.

Pensava eu que os amigos, se na realidade existem, então estimam-se, ajudam-se, mesmo nos maus momentos, até se podem insultar, mas chamar javali como pretexto para se poder dar um tiro não será muito apropriado, nem oportuno nos dias que correm, e na época que vivemos.

Sempre me ficou no entanto a dúvida se a cena observada, não terá tido a ver com algo que se terá passado durante o jogo das cartas: Terão os mesmos na euforia do jogo, sob efeito do álcool, talvez já de sabor amargo, iniciado uma conversa do género, “acredita que se te apanhar a roubares-me uma laranja no meu quintal dou-te um tiro e mato-te! E a outra voz, já não serena, sim exaltada a exclamar: Isso é o que veremos!”.

A amizade talvez seja também isto mesmo, chamar nomes impróprios, inadequados para a altura, como seja javali ou outro qualquer ao amigo, que de javali nada terá, senão apenas a vivência da proximidade, do companheirismo, da camaradagem, como forma de convívio que se torna essencial, para se poder passar o tempo da melhor forma possível, mas que na realidade, tudo se poderá tornar diferente, dependendo do interesse conformado ou inconformado do significado que cada um tem da palavra amizade.

Nesta história percebeu-se a coragem do confronto de duas pessoas, um a chamar javali a outro e sem pejo nem decoro, de imediato a decidir dar-lhe um tiro, tal como se estivesse presente numa montaria de caça e abate ao javali, o outro a pôr em questão essa possibilidade, roubando as laranjas sem qualquer pudor; estranho o significado de amizade que se entende por este mundo fora.