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sexta-feira, 24 de março de 2017

Meditações - O Equivoco e a Mente


Aquele era o dia que eu previa, pelos sonhos nocturnos, que me iria ressentir de algo que não sabia o quê. Talvez dia aziago, diferente do habitual, pensamentos decadentes, as lágrimas eram nulas e vãs, mas a vontade era preenchida por aquilo que eu considerava como enferma, para algo que a minha mente antecipou, mas cujo propósito final continuava a ser um desígnio ainda obscuro e apagado, não o conseguia aclarar.

O mundo é uno, as surpresas das atitudes são por vezes um pasmo se não assombros da própria natureza humana, porque se vivemos num mundo real em que tudo o que nos rodeia é autentico, então o que nos poderá acalentar e tranquilizar por aquilo que sabemos sentir, mas não conseguimos fazer a leitura correcta porque a língua é indivisível e muitas vezes indissolúvel.

O mundo engana-nos, mas nós também nos enganamos, ou porque estamos distraídos e não esperamos, ou porque não sabemos que a vida é futura e não passada. A vida não é una, desorienta-nos, faz-nos esquecer, somos ser andantes, por aí andamos, como que esquecidos, engalanamos e adornamos aquilo que nos parece real, mas se calhar é mentira, mentimo-nos a nós próprios.

As perguntas são desfechos que nos entrelaçam, muitas vezes, por inesperadas e injustas nos mantém mudos e credos, os anos passam, o ambiente envolvente bole o cérebro à sua própria maneira de pensar ou de “dar jeito”, sim, é tempo de acreditar naquilo que não nos afiança a pureza das palavras, sejam vãs, vazias ou mesmo ocas. É esse o potencial de acção que as conexões sinápticas querem permitir aos axónios para que a sua desenvoltura as possa sentir, aceitar, desenvolver, ampliar e “espigar”.

O erro é um equivoco, por isso mesmo nos confunde como se uma realidade fosse…, Mas não é! 

sábado, 25 de janeiro de 2014

No Dia em que os Coveiros Fizeram Greve

Naquele dia enevoado, os Coveiros decidiram por unanimidade, depois de analisarem os problemas da classe, decretarem uma greve por tempo indeterminado.

A população tomou conhecimento da notícia pelos jornais; ficou perplexa porque não entendeu nem quis perceber: Greve? Estão doidos, o que será dos mortos, quem lhes dará o trato final no caixão, quem os enterrará e quem os velará?

A Assembleia da República e o Primeiro-Ministro nada se preocuparam, porque era mais uma de muitas outras greves, de outros malfeitores que tudo queriam mas nada mereciam, mas cujo controle das forças policiais sobejava e que rapidamente o cansaço a faria terminar, para além da revolta que iria provocar na população.

Mas esqueceram-se dos factos reais,

A vida, pelo país começou a tornar-se insuportável. As pessoas já sofríveis pela crise permanente e duradoura, sem fim à vista, começaram cada vez mais a ficarem menos amistosas, a irradiarem a sua pouca animosidade, não para os Coveiros, mas para os políticos que mais uma vez não quiseram ou não se aperceberam do quanto de prejudicial se adivinhava a continuação dessa greve.

Parecia tudo ter saído de um livro de ficção, mas não. As capelas começaram a abarrotar de corpos inanimados, os familiares e amigos confusos porque queriam velar um determinado corpo, mas eram tantos que ou velavam vários sem saber o real ou fingiam velar e saiam rapidamente da casa mortuária. Os funcionários das agências funerárias andavam descontrolados, nervosos, agitados, preocupados e inquietados quando as pessoas iam ter com eles culpabilizando-os da situação, confundindo-os, porque nem os próprios percebiam da razão que estava a levar à confusão e anarquia do país.

O Ministro da Saúde, após reunião com os seus consultores e assessores, muitos deles médicos, quando estes lhe transmitiram a possibilidade de uma catástrofe de Saúde Pública devido à decomposição dos corpos, ao cheiro nauseabundo dos mesmos e às doenças mortíferas que daí poderiam advir, aquele pensou e meditou do que melhor seria, se considerar um estado de calamidade, se pensar que quantas mais pessoas morrerem e menos indivíduos existirem, menos dinheiro se iria gastar com a segurança social e mais facilmente se iria conseguir o equilíbrio das finanças do país; mas lá considerou e bem que essa questão do dinheiro mais diz respeito ao Primeiro-Ministro do a ele próprio, portanto não iria por esse caminho.

Pior, a recordação histórica do passado, da Época Medieval;

A pestilência, mas logo alguém pensou fazer negócio projectando leprosarias, ou ratoeiras electrónicas para apanhar os ratos; a tuberculose foi outro dos assuntos discutidos, mas a tal tísica, problema de proletários facilmente seria resolvido com as medidas a implementar. Importante seria preparar uma formação para os médicos e enfermeiros para reaprenderem a sangrar e purgar os doentes e também saberem manusear as sanguessugas, animal que muito iria ajudar na cura das “maleitas” que se estava à espera de aparecerem.

A Assembleia da República só começou a perceber a dimensão da situação quando compreendeu e entendeu que havia outras classes profissionais que quase sigilosamente queriam também reivindicar, ameaçando por esse motivo com greve: Os trabalhadores de recolha de lixo, os médicos, os motoristas, os enfermeiros, os bombeiros, isto o que se sabia dos serviços secretos de segurança do estado e dos serviços de escutas dos telemóveis.

Começaram algumas medidas: Exigir o embalsamento, mas que rapidamente fez esgotar no mercado negro, os óleos e outras substâncias utilizadas para complemento dessa técnica; houve quem rapidamente inventasse maneira de fazer toneladas de gelo para manter os corpos inertes, mas o próprio gelo derretia rapidamente e a água começou a escassear pelo que foi negócio de pouca duração.

Os corpos eram cada vez mais, não havia caixões em número suficiente, a madeira era insuficiente, a água passou a ser insalubre e a comida desesperante no seu sabor.

A Guerra Civil estava iminente...

Toda a Comunicação Social aguardava um veredicto, que tardava em aparecer, aguardando com a paciência que se lhes reconhece, horas infinitas nas entradas dos edifícios do Primeiro-Ministro, Ministérios e Assembleia da República, mas notou-se que poucos estavam presentes junto ao edifício do Presidente da República e percebeu-se que a razão era pelo facto de se saber que este é simplesmente o porta-voz do actual Primeiro-Ministro pelo que por mais que dissesse ou falasse nada traria de novo para a solução da crise.

Mas alguém se lembrou e da cegueira fez-se luz; tal como o petróleo tem o seu valor, que o diga o Rodrigues dos Santos, também a Terra pode ser negociada, empolando o seu valor. Porque não relevar a lei já aprovada sobre os latifúndios e aproveitar a sua diluição objectiva: Dividir os cemitérios em "Pedaços" de Terra que ficariam na posse dos Coveiros, como pertença sua, que dela fariam o que quisessem: Poderiam mesmo enterrar os mortos pondo caixões uns por cima dos outros, até à profundidade possível ou inventada para além de terem direito percentual aos objectos que são depositados com os mortos, muitos valorizados pela inflação atingida pela confusão criada.

Foi o recomeço de uma reforma que não lembraria ao Diabo e ainda bem porque assim ficou todo o país e toda a sua gente abençoada por uma descoberta de que afinal tudo pode ser de todos. O país continuou anarquizado por mais organizado que pareça ter ficado, pois a camuflagem e a dissimulação cada vez mais em voga, não deixa de ser uma maneira ilusória de demonstrar que um país pode ser um exemplo de governação.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Deus, a Religião e os Telemóveis

Num recente passeio por caminhos inusuais na Beira Baixa, numa exígua vila, ao visitar uma pequena Igreja, não me recordo de que religião, deparei-me com a existência num placard de uma chamada de atenção conforme o que estava escrito: “Deus fala contigo mas nunca de telemóvel”.

Fiquei assoberbado de pensamentos, por tentar compreender como é que Deus falava comigo e nessa ordem de ideias se não poderia também ser através de telemóvel.

Poderá ter sido colocado com convicção e a certeza de moral e/ou justiça;  

Durante a realização da missa, normalmente aos domingos, dia mais relaxante por ser de repouso, acontece na Igreja com alguma frequência o telemóvel tocar com sons que podem ser mais agudos ou mais graves, de melodias ou não, mas que tacteiam o nosso cérebro, de uma forma ou de outra.

Esses sons ou tons entretém os mais distraídos, porque à missa vão os mais sérios e à Eucaristia os mais austeros; os primeiros vão porque têm de ir, quebrando desse modo a melancolia e o aborrecimento, ficando mais despertos para ouvirem e escutarem o sermão, que de sermão nada tem senão invocar a nossa consciência para aquilo que é o ónus moral do pensamento religioso.

Será que Deus fala por telemóvel?

Da dúvida e incerteza não consigo esclarecer; é certo que nessa altura, quando o telemóvel, toca fica toda a gente a olhar; da estupefacção inicial dos ouvintes, rapidamente se passa ao incremento da auto-estima de quem recebeu a chamada; claro que se a intensidade do som for o adaptado às circunstâncias, a comunidade presente não vai pensar estar num concerto de rock ou de bailarinos ou de um rancho folclórico, mas sim num local em que o culto valoriza qualquer eventual apreciação sobre outro tipo de local que não seja aquele que as pessoas recorreram por razões que lhes dizem e só a elas respeito.

Mas o telemóvel que toca é o dos "Jovens" ou é o dos "Velhos"…

Quando existe a afirmação de que os "Jovens" não procuram a Igreja, o telemóvel pode funcionar de marketing já que os mesmos nascendo e vivendo com o software, os tons, ou os jogos nesse mundo minúsculo, que não sonharíamos ser possível há poucos anos, é uma maneira recreada de sentirem e nutrirem o respeito por um espaço de consideração e respeito de quem acredita dos valores e valias que a meditação pode ter sobre o nosso ser em si mesmo.

Ou dos mais "Velhos", que pela sua imperícia de saber lidar com esta tecnologia, deixam tocar indefinidamente o telemóvel, porque não se apercebem de que é o deles, mas quando se apercebem, começam numa correria e aceleramento até à entrada da igreja para que possam atender o mesmo; tem as suas vantagens e será Deus que assim o entende: O exercício físico tem a ver com a vida e significa que Deus está atento aos problemas de cada um; também acorda os mais adormecidos, que deixam de roncar, ou de esbracejar ou de gesticular “perigosamente” quando despertados subitamente. Sabemos ainda que nas Igrejas não existem assaltos, mas nos tempos que correm, desconfiar que isso possa acontecer, a sua utilização também na Igreja deve fazer sentido.

Então e se a Igreja decidir proibir o telemóvel, será que Deus não poderá decidir um dia, pela sua particularidade própria, evangélica e omnipotência, deixar de estar presente na missa, ponderando outros meios para nos continuar a acompanhar no nosso dia a dia?



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acreditemos


Poderei trabalhar na construção civil, laborando actualmente na edificação de um prédio com cujo projecto não concordo, mas apesar disso devo ter a dignidade e a nobreza de agir, executar e diligenciar dentro das minhas obrigações profissionais para que esse mesmo prédio seja bem construído, sólido, robusto, resistente e que não venha a enfermar de problemas futuros.

Poderei ser funcionário de uma fábrica de mecatrónica, integrando uma equipa que executa um programa de investimento com o qual discordo e disso dei conhecimento, mas é minha obrigação moral e ética, dar o melhor de mim mesmo para que o mesmo possa progredir, prosperar e crescer, para no seu final a equipa poder afirmar que singrou, tendo prosseguido esse caminho, em que a colaboração afincada permite que a empresa atinja os objectivos e propósitos a que se sujeitou na sua missão, ajudando assim a haver um planeta diferente, sem a austeridade que não desejamos.

Mesmo que não concordemos com determinados caminhos, é nossa obrigação, primeiro tentar ser ouvidos e escutados na perspectiva de um trilho dever não ser tão sinuoso. Falhada essa possibilidade, devemos ter a capacidade, a faculdade e a inteligência de superar, corresponder e ultrapassar se possível a eficácia e eficiência que de nós é esperada, quer tenhamos ou não sido ouvidos.

Deverá fazer parte do nosso ego evidenciar que sendo um ser com consciência, assertivos à meditação, à reflexão e à ponderação, abrindo a alma à critica embora não sendo ouvidos, nem escutados, de certeza que alguém nos observa seja cá ou lá, pelo que a nossa firmeza deverá ser ainda mais sã, robusta, forte, sendo esse  o ideal beneficio para a empresa, instituição, país ou comunidade e sem dúvida, para nós.

É a tranquilidade da nossa consciência, “auto-self” que não nos pode levar a sermos cúmplices do maldizer, da desacreditação, do amaldiçoamento, da calúnia ou da difamação: Teremos o nosso ego tranquilo;
Acreditemos!